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Friday, 21 March 2014

A ansiedade e o chá de camomila



Tenho falado imenso com as minhas amigas acerca da realização dos nossos sonhos, dos nossos projectos pessoais, das nossas expectativas em relação ao futuro, e raios, as mulheres sonham que se fartam! Acho importante sonharmos, termos os nossos projectos pessoais e lutarmos por eles. Por vezes, o medo de falhar de que vos falei AQUI, paralisa-nos e corta-nos as pernas, corta-nos as asas. Pois a mim já não chegava o medo de falhar, não, nada disso, ainda tenho de superar toda uma carga gigantesca de ansiedade, com a qual também tenho toneladas de dificuldade em lidar.

Nos últimos tempos tenho andado a chazinho de camomila o dia inteiro (carregadinho de açúcar, que eu sou das gulosas) para ver se acalmando me abstraio da ansiedade. Lá no fundo quero crer que todos ficamos ansiosos quando estamos apostados em lutar por alguma coisa, seja um projecto profissional (ou mais, como é o caso) ou uma relação amorosa que está prestes a começar. Penso que o que piora tudo em mim é mesmo o nível de ansiedade, por vezes sinto-me uma catraia pequena com dores na barriga antes do teste de matemática.

Para além do facto de que devo fazer parte do grupo de pessoas que corre o risco diário de ter um piripeco nervoso derivado ao excesso de ansiedade que me corre nas veias e que até já se deve ter instalado nos ossos inclusivamente, penso que o segredo que muda tudo é aceitar a ansiedade e não levar aqueles pensamentos parvos que temos quando estamos a meio de uma crise (o meu dia inteiro costuma corresponder ao suposto "momento de crise", o que significa que pensamentos parvos são coisa que abunda nesta cabecinha) deve estar em como cada um lida com isso. Ultimamente tenho andado a enfiar (à força mesmo) na cabeça que aceito que tenho problemas GRAVÍSSIMOS de ansiedade e que, por isso, tenho de agir de acordo e exterminar pensamentos estúpidos mal eles comecem a surgir (o que significa exterminar pensamentos parvos a cada dois minutos).

Apesar do esforço consciente que tento fazer para lidar com a tensão da responsabilidade que sinto, e consequente ansiedade, a verdade é que acredito mesmo que isto está a funcionar. O truque é encontrar a estratégia que funciona connosco: comigo é afundar a ansiedade em chá de camomila, mal ela começa a personificar-se em pensamentos parvos. E vocês, já encontraram o vosso truque?


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A Menina dos Óculos


Saturday, 15 March 2014

Personagens de Clapham

Clapham à saída da estação de metro, num dia de neve.
Clapham é uma das zonas cool de Londres (para mim, pelo menos). Não é chique, não é uma zona típica de classe alta ou de pessoas mais idosas. Próxima do centro (zona 2), está perto de tudo e a acessibilidade em termos de transportes é algo de extraordinário. Geralmente quem se muda para Clapham são os casais jovens e os estudantes universitários, ou seja é o paraíso da classe média.

Quando nos mudámos para Clapham ficámos fascinados com tudo: as lojinhas de comércio tradicional, com todo o tipo de coisas amorosas que as mulheres adoram. Clapham tem lojas de tricot e tecidos, lojas de decoração, lojas de roupa, e todas elas têm um denominador comum: são queridas, super bem decoradas, muito apelativas para o sexo feminino.

Certo dia, estávamos sentados a almoçar no McDonald´s da zona e entrou lá um homem, vestido de mulher, com uma mini-saia curtíssima (eu própria não me atreveria a tal feito), envergando com alguma ostentação o seu peito gigantesco (as minhas meninas ficariam envergonhadas com uma possível comparação), tapado com um top minúsculo. De cabelo comprido cinzento, visivelmente pouco cuidado, e cara envelhecida pelos anos (deve ter uns 65 anos), na sua entrada triunfal, dominava o som poderoso dos seus saltos altos que ecoavam imponentemente naquele estabelecimento de fast-food.

Na altura, não sabíamos, mas ele (ou ela, sinceramente não sei como designá-lo/a) é uma das personagens de Clapham, e é raro o dia que não passo por ele/ela na Clapham High Street. Na nossa falta de habituação no convívio de pessoas mais extravagantes e corajosas (como é o caso), admito que comentámos a situação uns com os outros. Conseguíamos ouvir risinhos estridentes de algumas crianças que acharam toda a situação uma novidade, como nós, e lembro-me que na altura comentei que embora fosse natural a reacção das crianças, não gostaria que um filho nosso o fizesse, e caso o fizesse, sei que seria normal da idade, mas sentiria que era minha obrigação adverti-lo para o facto de que não é certo e que devemos respeitar as outras pessoas e as suas opções, escolhas e preferências. Pois isto foi coisa que não aconteceu naquele dia no McDonald's - os próprios pais atiravam piadas brejeiras para o ar, e eu senti-me constrangida com a falta de respeito que demonstraram.

Aos poucos, perante as constantes faltas de respeito (não dos moradores de Clapham, mas de quem visita ocasionalmente a zona) a este ser humano, comecei a gostar dele, não por ter pena, mas porque admiro a sua coragem. Não faz mal a ninguém, não importuna as pessoas, não perturba, e ignora todos os olhares e bocas indelicadas. Dia após dia passo por ele (ou ela) e fico com vontade de parar um bocadinho e falar com ele (ou ela). Gostaria de perceber porque o faz, se se sente mulher, ou se gostaria de o ser, ou se simplesmente se sente homem, mas sente-se feliz a usar roupa de mulher. Não o faço, não gostaria que pensasse que eu o/a acho uma aberração. Não acho. Admiro simplesmente a sua coragem de fazer o/a que o deixa feliz, independentemente do que todo o mundo possa pensar. Se todos fôssemos assim, o mundo seria um lugar mais alegre.

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A Menina dos Óculos



Tuesday, 11 March 2014

O direito inalienável aos saltos rasos e sapatilhas



É sabido que eu sou louca por sapatos de saltos altos. Não o nego, nem o escondo. Também é verdade que esses são aqueles que acho mais tentadores na hora de passar pela tentação e me decidir a deixar uma batelada de dinheiro na loja. Por algum motivo, custa-me menos cometer uma excentricidade daquelas jeitosas por um par de sapatos altos, do que por um de saltos rasos. Penso que será pelo facto de os primeiros nos fazerem sentir a "dona do pedaço", e convenhamos, essa sensação é fantástica e impagável. Sabe bem sentir o power que o som de uns saltos altos faz enquanto descemos uma rua, e temos a sensação que estamos no topo da hierarquia dos saltos.

Tudo isso é verdade, e qualquer apreciadora de sapatos concordará comigo. No entanto, também é verdade que há aqueles dias em que nos apetece simplesmente enfiar numa camisola larga (não tem de ser necessariamente menos stylish por ser larga, e calçar umas botas mais rasas (que também não precisam de ser menos trendy). É óbvio que com umas sapatilhas ou uns flats não nos sentimos poderosas como com saltos altos, mas também é verdade que nem sempre é essa a nossa prioridade. Há dias em que nos apetece estar confortáveis e não estamos nem aí para o resto. O facto é que podemos estar giras, sentirmo-nos bem e fashionable, com um par de sapatilhas, desde que conjugadas com algum bom gosto e um toque de irreverência.

Sou completamente contra aquela noção antiquada de que uma mulher de negócios tem de usar salto alto sempre para se fazer respeitar. Compreendo que o salto alto contribui para uma mulher se sentir  mais poderosa, mas acho que a atitude também é um factor importante a ter em conta. E uns saltos rasos usados com atitude, e conjugados com um outfit bem pensado podem impor respeito também. Concordo que umas sapatilhas poderão ser consideradas um exagero neste caso, mas dependendo do modelo de que estamos a falar (não poderiam ser sapatilhas de desporto, nunca umas NIKE, New Balance, ou Adidas, evidente) com muito jeito talvez também se arranjasse alguma solução. Acho ridículo que, no caso das mulheres, se associe um trabalho sério, corporativo, a um par de saltos altos.

Acredito que apesar do meu amor por saltos altos, devíamos criar o movimento: "Temos o direito a usar saltos rasos e sapatilhas no trabalho, seja ele qual for". Quem está comigo?

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A Menina dos Óculos

Monday, 10 March 2014

R.E.S.P.E.C.T.



As pessoas conquistam o respeito umas das outras das mais variadas formas. Porém, no passado fim-de-semana apercebi-me de duas outras formas que nunca tinha equacionado no passado e que de facto, fazem todo o sentido.

O sucesso profissional costuma ser um dos denominadores comuns das pessoas que mais frequentemente ganham a admiração dos seus pares e da sociedade em geral, o que é perfeitamente compreensível, dado que a profissão e o income resultante da mesma, se for bastante acima da considerada 'média', é sinónimo de status. E hoje em dia, dinheiro significa poder económico e poder económico, por sua vez, equivale a respeito.

Além do lado do poder económico e sucesso na carreira, acredito que os chamados "self-made" man/woman também conquistam a admiração dos que os rodeiam, pois hoje em dia não é fácil chegar  ao sucesso independentemente de cunhas, de referências, de conhecimentos da família. Construir um caminho de sucesso e que nos faça felizes (independentemente do salário ao fim do mês) através do nosso talento natural, do nosso esforço, dedicação e sacrifícios é algo digno de suscitar o respeito de outros que, da mesma forma, ambicionam construir o seu caminho passo a passo.

Por outro lado, também há quem ganhe o respeito da sociedade pelo seu empenho em causas humanitárias, pelo seu trabalho de voluntariado, pelo seu lado mais altruísta, e que não se vê com tanta frequência. Estas pessoas têm, sem sombra de dúvidas,  de ser valorizadas pela sua generosidade, pela sua humildade, pelo seu trabalho. E a sociedade acaba por reconhecer (se calhar não o suficiente) estas pessoas e estas acabam por ser o depositório da confiança e respeito dos que as rodeiam.

As mulheres que geralmente conseguem ter uma vida profissional activa e de sucesso, bem como despender de tempo para manter uma vida familiar (que normalmente inclui ter marido e/ou filhos) saudável, acabam também por ser alvo do reconhecimento do seu esforço e sacrifício por parte daquelas que, como elas batalham diariamente para estar naquele nível de "quase-perfeição" em todas as áreas da sua vida. Apesar da mulher ser geralmente tida como mazinha e maledicente, gosto de acreditar que no fundo reconhece o valor das que, tal como ela, sofrem para manter o sucesso na sua carreira, conservando a sua felicidade familiar.

Porém, e embora haja ainda muitas outras formas de se conquistar o respeito dos outros, este fim-de-semana, na nossa saída de sábado à noite fomos para Camden Town, um dos locais mais alternativos de Londres para as saídas nocturnas, mas também um dos mais divertidos. Apercebi-me lá, que as mulheres conquistam o respeito umas das outras pela audácia e bom-gosto (qualidades que são, no caso, indissociáveis) do que vestem. O facto é que, ao passar por uma mulher no cume do seu salto alto (ou até flat ankle boots), que não recorre ao vestido preto justo básico ou aos típicos acessórios já mais que batidos, senti-me conquistada - conquistada pela atitude, conquistada pelo facto de me identificar com o que considerei bom gosto. É evidente que pessoas com gostos e interesses idênticos conquistam o respeito umas das outras, mas neste caso, tratando-se de algo habitualmente considerado superficial, como é a roupa, mas que acaba por dizer tanto da confiança e personalidade de uma mulher. E sim, como mulher, já senti que algumas mulheres ganhassem a minha admiração pela statement que fazem diariamente pelo modo como se vestem.

No Domingo, após a saída de Sábado, decidimos fazer um piquenique entre amigos no Regent's Park. Estava um dia lindo, radiante de luz e o sol estava convidativo. Os homens do grupo decidiram oferecer-se para jogar um jogo de futebol com uns Ingleses que já lá estavam. O que me apercebi é que dentro de um jogo de futebol, e entre homens, aqueles que fazem mais show acabam por ganhar o respeito dos restantes. É quase como ser o Rei dos Relvados, mas o facto é que os homens que dominam dentro do campo, fora dele acabam por ser vistos com olhos de admiração por parte dos outros. Claro que isso faria do Cristiano Ronaldo o homem mais admirado do mundo, e supostamente não é assim que acontece. Contudo, por mais que haja quem diga mal dele, e o acuse de ser arrogante e convencido (eu limito-me a ter orgulho nele e no trabalho que desenvolve, em vez de perder tempo a dizer mal de alguém que tão bem representa o nosso país), ninguém pode negar que ele chegou onde chegou porque suou (e muito) a sua camisola. Ele não se limitou a deitar à sombra da bananeira e a saborear os frutos do seu talento. Por mais más línguas que haja, ele conquistou o respeito de todos (mesmo dos que dizem mal dele) dentro do campo, e contra factos, não há argumentos.

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Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Thursday, 6 March 2014

As técnicas de engate e eu #1



Todas as mulheres já foram abordadas pelo outro sexo em vãs tentativas de engate. Não deve haver uma, nem mesmo a mais insegura, que não tenha sido. E a verdade é que as tentativas de engate cada vez mais se assumem por toda uma diversidade rica de técnicas que podem, ou não, produzir o efeito desejado. Embora também haja as tentativas de engate do sexo feminino em relação ao sexo masculino (principalmente cá por Londres) ou até as do mesmo sexo, hoje apetece-me brincar um bocadinho com os machos hetero, por isso vou ignorar todas as outras e focar-me em 3 modos de acção desse macho quando observa a presa e se prepara para atacá-la.

Tentativa de engate n.º 1
"Ajudas-me aqui a preencher este formulário?"
Este foi o 1º golpe do Mr. Bubbly comigo, daí que venha em primeiro lugar. Os nossos amigos que sabem da história ainda hoje brincam com ele por causa disso, pelo que me é especial. E bem, antes que pensem que surtiu efeito, lamento desiludi-los, não surtiu, mas fez-me rir, foi engraçado, pelo que também não o fez perder pontos - nada mal! Esta tentativa pode ser utilizada quando já se esteve com a pessoa uma vez pelo menos (basta que seja após o dia em que foram apresentados, por exemplo) e com colegas de trabalho, no local de trabalho (senão, arranjar um pretexto para preencherem um formulário na 1ª saída a dois às 11 da noite vai soar estranho). Basicamente o homem vai estar aflito com um formulário e vai pedir ajuda à miúda gira e simpática lá do escritório para o ajudar a preenchê-lo. Nessa altura, pode inclinar-se para ela, ficar bem pertinho, sentar-se na mesa e tentar fazer eye contact, ser fofinho, e no final, como forma de agradecimento, pode convidá-la para um chá (isso de convidar para um café já não se usa muito, digo eu, acho convidar para um chá muito mais sofisticado). 
NOTA INDISCRETA: Não façam como o Mr. Bubbly e certifiquem-se que o formulário é complicado de preencher, porque no caso, o dele continha campos difíceis como: Nome, Data, Agrupamento de Escolas, Hora, Total de Horas, Escola e Assinatura. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi: Ou este tipo é muito burro, ou já está apanhadinho por mim! No entanto, confesso que achei graça à situação toda, e ao esforço que ele estava a fazer para me chamar a atenção, embora tenha tido de disfarçar o constrangimento de lhe estar a explicar coisas como: Ora onde diz 'nome', colocas o teu nome; onde diz 'Agrupamento', escreves o nome do Agrupamento de Escolas onde estás a trabalhar; onde diz 'Data', escreves a data,... O facto é que mesmo com um formulário fácil, eu estou aqui e com ele, certo? Por isso, what the hell, se não houver mais nada, usem qualquer formulário mesmo.

Tentativa de engate n.º 2
Vou deixar-te essa caixa de mensagens tão cheia, mas tão cheia, 
que mesmo que não queiras, vais acabar por sair comigo
só para conseguires desbloquear o telemóvel!
Esta técnica nos meus tempos de solteira era estranhamente muito habitual, e de acordo com o que vejo com as minhas amigas (ainda) solteiras, continua muito em voga. E não é que às vezes funciona? Esta é basiquinha mesmo, consiste em tentar persuadir uma mulher a sair consigo pela insistência desmesurada e por potencialmente bloquear o telemóvel da moça com tamanha quantidade de mensagens escritas e voicemails, e emails, e mensagens no Facebook, dicas no Instagram, (ou apenas 2 destas técnicas) etc. Pode haver algumas miúdas que se assustem um bocadinho (esta técnica assemelha-se um bocadinho ao stalking), mas chega ali um momento que algumas acabam por ceder. Afinal, não se pode dizer que o homem não lhe esteja a dar atenção, o que já é mais do que algumas mulheres com relações longas se possam gabar. Em conclusão: isto ou corre muito bem, ou corre muito mal e a moça aparece-lhe à frente com uma restraining order (= ordem de restrição por perseguição) - das duas, uma.
NOTA INDISCRETA: O Mr. Bubbly também usou esta, e lá se safou com um jantar depois de 11h non-stop a insistir para jantarmos. 11h depois achei que era melhor ele parar com a brincadeira das 20 mensagens de 10 em 10 minutos, porque o telemóvel estava sempre a bloquear e já não recebia mensagens de mais ninguém, porque a caixa estava sempre cheia.

Tentativa de engate n.º 3 
Vou ser tão fofinho como um puto da primária
Esta técnica chegou até mim recentemente. Como já vos disse inúmeras vezes, costumo ir escrever para o Starbucks de Clapham, que segundo parece, é o local de engate preferido do pessoal aqui da zona. Eu achava que era só um local com boa música e inspirador (por algum motivo, talvez por superstição até, acredito piamente que muita da minha inspiração resulta do facto de estar a escrever lá; já se tornou tipo amuleto da sorte; se um dia for famosa, vou ter de agradecer aos funcionários do Starbucks de Clapham por serem uns amores comigo), mas pelos vistos não. Homens de toda a Londres vêm para este Starbucks em específico para exercer as suas técnicas de engate. No outro dia, fui abordada de uma forma que achei super querida, embora claro, me pareça que os homens cá não percebem que uma aliança no dedo anelar da mão esquerda significa que a sua presa é casada, pelo que evidentemente, o macho não iria ter nunca sorte nenhuma. No entanto, é de admirar a sua criatividade e esforço. Então, por coincidência, sentei-me ao lado dele (era o único lugar vago perto da tomada naquela mesa) e coloquei o meu muffin e o meu frappuccino na mesa, e ele começou logo a falar, a dizer que estava de dieta e que aquele muffin o estava a fazer salivar (agora que penso, isto em Português não soa muito querido, e parece mais uma metáfora sendo que, nessa linha de pensamento, eu e o muffin seríamos uma, e a mesma coisa - Blhac!). Respondi-lhe brevemente, e voltei ao trabalho, estava a meio de uma crónica para este blogue curiosamente. Adiante, ele não tarda e volta para o seu computador. Dali a uma hora talvez, pousa um papel dobrado a meio, com a caneta em cima na mesa, entre nós os dois, e diz-me, Já viste o que estava aqui na mesa quando cheguei? Eu, que estava meio burra com aquela situação, não estava a perceber nada, só acenei com ar de espanto e fiz um grunhido parecido com Uh uh! Ele, vendo que eu estava bloqueada, sugere Não queres ver o que está lá dentro?, ao que eu abro o tal papel e me deparo com uma situação familiar da minha infância/adolescência. Lá dentro dizia qualquer coisa do género:

Desde que entraste na porta do Starbucks que te achei maravilhosa e, por isso, tenho duas perguntas para te fazer. Assinala a opção correcta.

1. És...
a) comprometida ____
b) solteira ____

2. O que dirias se te convidasse para comer um cupcake?
a) Sim ____
b) Não ____

Achei super querido, embora se calhar ele fizesse isso a tudo quanto usasse saia. Já me tinham feito algo parecido - o meu Mr. Bubbly antes de termos começado a namorar, usou a técnica do papel também, mas nessa altura já nós éramos amigos -, mas nunca um estranho assim do nada. Assinalei que sou comprometida e nem respondi à segunda pergunta. Mostrei-lhe a aliança de casada, e disse-lhe que achei a abordagem super original e que me fez rir, disse-lhe para experimentar com outra miúda, e ele acabou por me fazer perguntas sobre o marido. Era um tipo simpático. Espero que tenha sorte e encontre a tal miúda para comprar um cupcake. Quando contei ao marido, ele partiu-se a rir e disse qualquer coisa com ar forçosamente sério, mas a querer rir-se: Vou ter de ir ao Starbucks partir a cara a esses gajos? 

(to be continued)
Mais técnicas de engate no próximo "As técnicas de engate e eu".



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Já viram ESTE post? E então ESTE?! :)

Obrigada por lerem e acompanharem!

Beijinhos,

A Menina dos Óculos


Wednesday, 5 March 2014

Eu e a moda


Há mulheres que não ligam muito a roupa, que o consideram uma futilidade e que acreditam que investir muito dinheiro em roupa e acessórios não é investir de facto, mas é desperdiçar. Desde pequenina que me habituei, tanto por ver a minha mãe e avó a arranjar-se com algum cuidado, como por ter uma madrinha que era modista, a viver entre tecidos, agulhas e dedais, carteiras, tesouras de alfaiate.

Agora acredito que isso ajudou a desenvolver em mim o bichinho pela moda. Isso, e o facto de a minha mãe gostar sempre de me arranjar como se fosse uma boneca. O facto é que uso carteiras desde os 2 anos e desde cedo aprendi que uma senhora deve ter no mínimo três: uma shopper, uma carteira de porte médio e uma clutch. E eu já as tinha quando era pequena, imaginem agora!

Também foi a minha mãe que me ensinou a andar em saltos altos, e hoje continua a dizer: "Uma mulher tem de saber usar os seus saltos; se não sabe e quer usá-los tem de aprender a fazê-lo." Do ponto de vista dela, mulher que use saltos e não saiba andar neles, não pode fazê-lo, porque "fica muito feio". E o facto é que tenho de concordar que aquelas mulheres que andam em cima dos seus saltos e que quando pousam o pé no chão, estão com o joelho dobrado, não saem da imagem lá muito favorecidas. Isto não é coisa de mulher maledicente, pois nem sou de criticar as escolhas sartoriais das pessoas mais extravagantes (às vezes as escolhas aborrecidas é que me tiram mais do sério), que o próprio Mr. Bubbly é o primeiro a comentar quando vê uma e acrescenta em jeito de conselho que: "um salto mais baixo só a favorecia!" Quer isto dizer que comecei cedo na minha escalada pelos saltos, com a minha mãe na supervisão a incentivar-me constantemente a usá-los e a orientar-me nos aumentos graduais da altura do salto.

Quanto à roupa em si, bem, o facto é que eu gosto de moda, sim, mas o que adoro é mesmo a roupa, os acessórios, assim, nus e crus. Gosto dos tecidos, gosto dos materiais, gosto das combinações, gosto dos cortes diferentes, gosto do modo como a roupa transforma os nossos corpos. Acho fantástico que com um determinado tipo de roupa me sinta de certa forma, e com outro me sinta de outra completamente oposta. É por isso que digo que me visto de acordo com o meu mood, mas que a roupa também o influencia, ou seja a roupa e o modo como me sinto muitas vezes relacionam-se reciprocamente. E acredito que seja assim com mais pessoas.

Outro aspecto que adoro na roupa é que me permite ser brincalhona, e infantil às vezes. Adoro o facto de poder brincar com padrões (o meu jogo preferido) e com texturas, misturar tudo, e no fim ver o que dá. É quase como misturar uma série de ingredientes pouco prováveis, levar ao forno e ver qual o bolo que saiu de lá. É um exercício de criatividade, experiência estética e de bom gosto que aprecio, ainda que por vezes só eu é que lá veja o bom gosto, claro está. Mesmo assim, enquanto que para algumas pessoas escolher a roupa do dia pode ser um exercício rotineiro, para mim não o é. Um exemplo disso é que tenho a mania de evitar repetir conjuntos, isto é, repito as peças, mas não as combino da mesma forma, lá está, porque estou a exercer a minha criatividade, e tal como um artista (ai que sou tão modesta), que não faz a mesma pintura duas vezes, também eu não aprecio conjugar o mesmo outfit duas vezes. Não digo que não o tenha feito, mas se o fiz, já me tinha esquecido que estava a repeti-lo.

Basicamente, sei que levo com o rótulo de consumista e superficial muitas vezes, devido a este amor que nasceu comigo, foi alimentado pelas pessoas mais importantes da minha vida, e agora é sustentado por mim, mas honestamente não me importo muito com isso. É o meu vício (até agora ainda nem me fez mal à saúde), é a minha paixão, e faz-me feliz. Mesmo que nem todos percebam isso. Faz-me feliz.

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Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Monday, 3 March 2014

A mulher do Starbucks

Hoje cheguei aqui ao escritório (para quem é desnaturado, não lê as minhas crónicas todinhas, pelo que não sabe a que me refiro, escritório é para mim sinónimo do Starbucks de Clapham) e, visto que não tinha decidido ainda o tema da crónica, optei por parar e observar enquanto o cursor do blogger piscava ansioso para descobrir o que seria o tema de hoje.

Decidi-me por falar das mulheres que comigo partilham habitualmente o Starbucks. Algumas, como eu, já são habitués aqui do sítio. Ora então, como sou uma egocêntrica incorrigível, comecemos pelo meu grupo. Há as que como eu, trazem o portátil e escrevem sem parar, como se disso dependesse a sua vida. Somos poucas, curiosamente. Aliás, deixem-me cá espreitar quantas estamos hoje. Pois. Hoje sou só eu. Acho que fazemos todas parte do mesmo grupo - o Grupo das Bloggers. Geralmente distinguimo-nos porque nos vestimos de forma um bocadinho diferente - se hoje me vissem acho que me denunciavam à polícia da moda ou coisa que o valha. Com padrões e cores que supostamente não foram conjugadas para combinar na verdadeira acepção da palavra, de sapatos sempre um pouco mais exuberantes que a norma, somos facilmente detectáveis por cá. Depois há o nosso fundo da secretária do laptop, que corresponde invariavelmente a uma imagem de moda que atrai todos os olhares do café. Um dia destes coloco uma imagem de um tipo nu, só para ver as reacções. Acho que era de fazer isso, e filmar os olhares atrás de mim. Ia valer a pena, não era?

Depois, temos as que se sentam sempre nas poltronas perto da janela, acompanhadas de um livro, e ficam uma, duas, três horas de volta dele, alimentando-se simplesmente do seu conteúdo, enquanto eu mordo o meu classic blueberry muffin (só para daqui a uns tempos quando colocar nova foto no Facebook perceberem porque parece que engordei uns 6 kg 8 kg); sugando cada palavra do seu Charles Dickens, enquanto eu sugo cada gota do meu frappuccino  de garrafa; parando de vez em quando para olhar para a janela, enquanto eu paro para afinfar mais um naco de muffin. Este é o "Grupo das Devoradoras Românticas de Livros". Têm o hábito de vir para cá vestidas de forma muito confortável - estou para ver o dia em que vão trazer um cobertor para tapar as perninhas. Já vi alguns homens a sentar-se na poltrona da frente para tentar meter conversa com elas e tentar que elas dirijam o seu apetite voraz para outra coisa que não os livros. Porém, elas ou fingem não perceber, ou simplesmente não percebem mesmo os esforços deles para lhes chamar a atenção. Coitados, dá dó... Às vezes, também eu venho para aqui ler os meus livros, e é particularmente bom quando está a chover. Há uma poltrona em particular que faz as minhas delícias, a mais afastada da porta, e voltada de costas para toda a gente. 

Há depois as que vêm ao Starbucks a correr, o "Grupo das Cheias de Pressa", que entram, vão para a fila e olham o relógio de dois em dois minutos, enquanto estão agarradas ao iPhone a escrever, com ar de quem anda muito ocupado e já está atrasado. Costumam ter um ar muito arranjado, com o cabelo habitualmente apanhado, dentro das suas saias pencil, com as suas camisas muito aprumadas e blazer bem passado. Após serem atendidas, pegam o seu caffè latte, e abandonam o café, num passo apressado. Não há muito mais a dizer acerca delas, porque elas não param cá muito tempo. E os homens não chegam sequer a fazer eye contact, porque elas não lhes passam cartão nenhum e preferem o telemóvel.

Um grupo que hoje também está aqui (e não é muito habitual) é o "Grupo das Agarradas à Pág. de Classificados". Não sei que raios tanto elas vêem nos classificados do jornal, devem estar à procura de emprego provavelmente. Folheiam o jornal cheias de vontade e motivação e riscam, desenham balões, escrevem apontamentos, sempre de olhos apontados para o jornal. Se aquilo forem tudo empregos, e elas concorrerem a todos, vão chover oportunidades (ou não), mas admiro-lhes a força de vontade. Os homens por algum motivo optam por ignorar este grupo, não entendo bem porquê. Talvez seja porque elas têm um ar meio desesperado, agarradas ao jornal, e isso não seja muito convidativo aos olhos deles - imaginem se elas também os agarram daquela forma e nunca mais os largam? - digo eu. Além disso, são geralmente as mais discretas, sempre na delas, vestidas nas suas calças de ganga e camisola de malha num tom muito pouco apelativo. De vez em quando apanho uma ou outra a olhar para o tipo giro da mesa ao lado, mas é sempre de soslaio, e o tipo giro nunca repara.

Hoje curiosamente, isto aqui está fraco de mulheres. É mesmo só homens. Mas lá que isto é um habitat interessante de espécies variadas, lá isso é! :) 

E vocês, fariam parte de que grupo, se estivessem aqui?




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Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Friday, 28 February 2014

No Starbucks de Clapham...

Como já aqui disse várias vezes, o meu local preferido para escrever é aqui no Starbucks de Clapham. Depois de trabalhar no computador durante a manhã, ir ao gym (nos últimos dias não tenho conseguido ir) e almoçar, costumo ir para lá e pensar os posts dos dias seguintes, bem como preparar o material do More than Labels. O Starbucks de Clapham é muito amigável, e está sempre recheado de jovens de ar simpático.  Ao fundo tem uma mesa comprida que costumo partilhar com os meus 'amigos' desconhecidos - alguns deles são já uns habitués do local (e da mesa, claro) - e onde fico praticamente sempre porque fica perto da tomada de electricidade, e como geralmente tenho de carregar o computador, dá mais jeito.

Ontem, quando cheguei, a mesa estava aparentemente cheia. Eu até podia sentar-me no balcão, mas nós, pessoas que escrevem, temos manias esquisitas, e eu acho sempre que a minha inspiração e criatividade ficam empoladas naquela mesa. Ia preparar-me para me sentar no balcão, num daqueles bancos que deixa os meus pés sem apoio, qual criança sentada no sofá alto da sala dos avós, quando um homem, talvez nos seus 30 e tal, retira o casaco da cadeira ao seu lado (que eu pensei estar ocupada) e me acena para me sentar lá. Sorri-lhe e agradeci. Ufffa, que alívio! Now we're talking! Hoje é que vai ser escrever como se não houvesse amanhã! Estes dedinhos vão teclar tanto que até vou ter caibras!, pensava eu.

Entretanto, enquanto preparava o estaminé para começar a trabalhar, ele olha para mim e pergunta, Oh, are you into fashion?, ao que respondo que sim, com ar tímido, enquanto já estou de volta de umas fotos para o site de moda. E ele volta a tentar a sorte, You look like a journalist, are you? Respondo que não, mas que trabalho para um jornal e escrevo. Ele continuou a fazer perguntas sobre o jornal, mas apercebendo-se que eu queria continuar a trabalhar, parou discreta e gradualmente de fazer perguntas. Mais tarde, enquanto balouçava a cabeça ao som da música ambiente que tocava a bom som no café, ele perguntou-me se reconhecia a cantora e disse-me que a conhecia, e blá blá blá. E meia hora depois, ainda me questionou acerca do carregador do iPhone, pois o dele estava quase sem bateria, e queria saber se eu tinha um comigo. Nunca vou saber se ele estava a praticar a arte do engate, ou se estava só a tentar ser simpático. O facto é que numa cidade em que as pessoas não são dadas ao sorriso, eu sou muito sorridente (mesmo, mesmo, ando sempre com os dentes à mostra), e se calhar isso abriu-lhe as portas para falar e estar à vontade.

Por um lado, apercebi-me também com esta situação da posição dos homens. Muitas vezes, as mulheres não dão o primeiro passo, pois assumem que isso é o papel do homem (e eu admito que sempre fui assim), mas hoje com o estranho do Starbucks - chamemos-lhe John, já que não sei o seu nome -, o John, fiquei a pensar que provavelmente é uma posição ingrata. Os homens, suponho, já estão habituados aos recuos e às negas das mulheres, mas mesmo assim, não consigo parar de pensar que muitas vezes é preciso um esforço e uma coragem enormes para meter conversa com alguém do nada. Eu própria não sei se conseguiria fazê-lo. Graças a Deus que não sou homem!

Por outro lado, nós, mulheres (muitas de nós, pelo menos, vá) estamos habituadas a ser o centro das atenções e a ser o alvo do engate e do interesse masculinos. Quando acontece o contrário, a mulher é normalmente olhada de lado pelas suas pares, porque é oferecida, fácil e vulgar. É fácil acusar uma mulher disso numa situação dessas, certo? No entanto, quando é um homem a fazê-lo, é normal, é o seu dever, é o seu papel, e isso não faz dele um fácil. Estranho estarmos já no século XXI e ainda assistirmos a este tipo de sexismo.

No geral, acho que quando feita com respeito e bom senso, a abordagem deve ser de louvar, mais que não seja pela coragem, tanto da parte do homem, como da mulher. Afinal, se não houvesse ninguém que desse o primeiro passo, não haveria finais felizes, e o que seria deste blogue sem finais felizes?



Fiquem a saber mais acerca do The Bubbly Girl in Glasses no:

E não se esqueçam de dar uma olhadela no meu outro site

Aconselho ESTE post e ESTE. E claro, o meu último, ESTE!

Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Monday, 24 February 2014

Sem rede de segurança...

Hoje começo este post sem a mínima ideia acerca do que vou escrever. Não costumo fazê-lo, admito que é algo estranho para mim. Sou daquelas pessoas que geralmente precisa de orientação, de planos, de objectivos, de estratégias delineadas para me sentir segura e feliz. Não quer isto dizer que, às tantas quantas, não acabe muitas vezes por alterar esses ditos "planos", esses tais "objectivos". Não me agarro a eles como se fossem a minha única salvação, mas sinto que funcionam como uma rede de segurança que me garante a confiança para seguir em frente, com menos medo, menos receios. Gosto de ter o plano A, o B, o C… E sou assim em vários campos, seja profissionalmente, seja no modo como percebo as relações, seja até na cozinha, onde tanto me divirto (hoje fiz um 5 o'clock tea cake para o lanche do Mr. Bubbly, que deve estar fabuloso, mais não seja pela quantidade de brandy que leva…), enfim, tenho dificuldade em combatê-lo, daí que hoje me tenha proposto a começar esta crónica precisamente sem tema, sem rede de segurança, experimentando e deixando-me levar por onde quer que a minha imaginação e raciocínio me levasse. E para ser sincera, por agora estou a gostar.

Ser espontâneo traz-nos tanto de bom, e confesso que grande parte das vezes os meus planos não correm exactamente de acordo com o esperado (quase sempre, vá), mas custa bastante deixarmo-nos levar pela onda e ver no que dá (pelo menos a mim, custa…). Eu sou geralmente uma pessoa comedida, tranquila, não sou de dizer tudo o que me vem à cabeça, a menos que esteja com um grupo de amigos muito, muito próximo (assim daqueles que conheço desde o secundário, para terem noção). É o meu jeito, é a minha maneira de ser, foi o modo como aprendi a interagir. Basicamente, tenho a noção que se disser tudo o que me passa pela cabeça, os meus amigos vão ficar a pensar que tenho de ser internada, porque por vezes passam-me coisas muito, muito estúpidas pela cabecinha. Este fim-de-semana dei por mim numa festa com amigos e tendo em consideração que tenho alguma sensibilidade ao álcool (dois ou três copinhos de Rosé - nem precisam de estar cheios - e já estou no ponto H - de Happy), acabei por me desbroncar toda e, bem, lá espontânea fui. Não sei é se eles ficaram assustados ou a pensar que tenho algum problema grave e tenho de ser internada. O facto é que nos divertimos imenso e nos rimos a bom rir das patetices que eu a Ângela e a Rafaela passamos a noite a fazer e a dizer. Por vezes, ser espontâneo sabe bem, lembra-nos que a vida não tem de ser tão séria, não tem de ser só acerca dos nossos projectos, dos nossos objectivos. 

Profissionalmente, neste momento, estou a ser bastante espontânea, não haja dúvida. Claro que tenho a sorte de ter um suporte financeiro que me permite sê-lo; sem isso seria impossível dar-me ao luxo de desistir do ensino aqui em Londres (vade retro), escrever neste blogue com a regularidade com que estou a fazer, de trabalhar num jornal comunitário, de poder despender tanto tempo nas minhas culinarices, ou de estar a desenvolver um projecto aqui em Londres que vos apresentarei assim que possível. Nunca antes me tinha entregue a este tipo de espontaneidade profissional. Ainda não estou no ponto em que possa dizer que o que faço recompensa financeiramente, mas sinto que já estive mais longe. Força de vontade não me falta, e isso era algo que enquanto professora em Londres, me faltava. O melhor de tudo é que embora sinta muito a falta dos meus alunos em Portugal, daqueles queriduchos todos de que nunca me esqueço e que vou seguindo conforme posso, estou a fazer algo que me faz feliz: escrever, e nunca antes me tinha dado a oportunidade de fazer algo 24/7 só porque me dá prazer, vislumbrando a possibilidade de isso me trazer algum retorno que não seja só o prazer de o fazer.

No amor, a espontaneidade, o apostar em correr riscos trouxeram-me o Mr. Bubbly. Ele era uma espécie de playboyzinho com fama de não se apaixonar facilmente. Logo à partida ele era aquilo que eu não precisava na minha (na altura) vida extremamente estável e planeada a todos os níveis possíveis e imaginários. Por outro lado, tinha o sentido de humor que eu gostava, tinha a ambição e os projectos que eu acreditava poder ajudar a desenvolver, tinha o ar descontraído e descomplicado que me atraía nos homens, e tinha aquele jeito que me deixava desconfiada por um lado, mas que me fazia derreter por outro. Apesar das minhas reticências, acabei por me entregar à espontaneidade, de aceitar o desafio, de experimentar, e cá estamos hoje: casados duas vezes, e felizes. A nossa vida não é perfeita, nem é isso que quero aparentar, temos as nossas discussões (muito raramente, nem me lembro da última para ser honesta, deve ter sido porque ele deixou as chuteiras na cozinha - o habitual), não concordamos em tudo, não é tudo rosa, mas sabemos ver o que temos de positivo na nossa relação, valorizar o bom que o outro traz às nossas vidas e estamos sempre lá um para o outro, para o concretizar dos nossos objectivos e para aquelas fases em que nada corre de acordo com o que tínhamos planeado.

Tenho 31 anos e ainda estou a aprender a viver de forma espontânea, a abraçar e apreciar essa espontaneidade, e agora que penso, ter escrito esta crónica de forma tão espontânea fez-me perceber o que de outra forma ainda não tinha concluído: até agora, ser espontânea, nunca me desiludiu; pelo contrário fez-me feliz. Acho que o mote do dia (e dos próximos tempos) vai ser mesmo esse: dar largas à espontaneidade, sem rede de segurança, e esperar que o está por vir seja tão bom como o que veio até aqui.



Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Saturday, 22 February 2014

Ser poderosa é...

Numa sociedade que tende a ensinar-nos que devemos viver para nós, que muitas vezes nos impinge o egocentrismo, o narcisismo até, as mulheres aprenderam a acreditar que para terem sucesso nas suas vidas têm de ser perfeitas em tudo.

A mulher tem de ser linda, estar sempre vestida de acordo com a ocasião, não pode ser gorda, não pode desleixar-se, e tem de ficar em forma no mês seguinte a ter dado à luz. Quando é casada, não pode descurar o marido, tem de o alimentar, tem de lhe tratar da roupa, tem de lhe dar atenção sempre que possa e cuidar do pequenito, já que a culpa das traições dos maridos são sempre da mulher, que "não lhes deu o que eles precisavam e eles tinham de ir buscar fora". Quanto à casa, tem de estar imaculada, não pode ter uma grama de pó, nem estar mal aspirada (jamais) e a cozinha não pode ter uma gotinha de gordura. Se tiver filhos, não lhe é permitido que cometa erros; qualquer erro na educação ou cuidados com a criança é sinónimo de mulher fracassada, má mãe ou má pessoa mesmo. Em termos profissionais, a mulher não pode falhar (curiosamente, o homem sentado na secretária do lado pode falhar umas tantas vezes, mas a mulher não) em nada; deve cumprir todos os prazos religiosamente, sem nunca (jamais) se queixar, mesmo que os prazos sejam literalmente estúpidos e cumpri-los signifique deixar de ter uma vida e poder tirar pelo menos uma horinha por dia para ela relaxar e tratar de si própria. No entanto, lá está o ciclo vicioso, espera-se que a mulher esteja sempre linda, fabulosa, fantástica, sem olheiras e com o cabelo perfeito. Mas como? Se a mulher tem de ser a mãe, a esposa, a profissional, a mulher perfeita em tudo?!?! Será que é sequer possível ser-se tão impecavelmente bom e sem falhas, em todos os campos da nossa vida? É que eu não sou, e se isso significa ter de me sentir fracassada, raios, é melhor perder uns dias (ou meses) da minha vida miserável só a investir sem piedade na minha auto-depressão, porque admito que não sou o que a sociedade espera que eu seja.

O ridículo disto tudo, é que nós é que fazemos a sociedade, e bem, se concluirmos que as mulheres fazem parte de pelo menos metade da sociedade, são elas praticamente (dado que a maior parte dos homens não quer saber desta treta da mulher ter de ser perfeita; para eles se tiver um par de mamas, for bonitinha e os tratar bem, já está no ir) que colocam toda esta pressão em cima das suas pares. Elas, que também têm com certeza as suas falhas, porque ninguém é assim tão perfeito, acabam por exigir que as outras o sejam. Quando descobrem que a X ou a Y engordaram 1kg festejam e criticam; se se apercebem que a Z ou a W não passaram bem a camisa do namorado a ferro (pois, que o homem não tem mãozinhas para passar roupa a ferro, querem ver?) querem ser logo as primeiras da fila a apontar o dedo. E isso enerva-me! Enfurece-me! 

Para mim, essa mulher perfeita que querem que sejamos, não é de longe uma mulher poderosa. É antes uma escrava que aceita e faz tudo o que a sociedade espera que ela faça. E isso não é ser poderoso; não é ser dona da sua vida. Não é ter controlo na sua vida. É precisamente o oposto. 

A mulher poderosa deve saber o que quer e deve estar a borrifar-se para o facto de nem sempre conseguir fazer tudo bem, desde que vá tentando melhorar ao seu ritmo, se assim for a sua vontade. A mulher poderosa não precisa de fazer um esforço por ser sexy 24/7 em relação ao sexo oposto, pois tem atitude. E digam o que disserem, não há nada mais sexy do que uma mulher com atitude e sentido de humor. Uma mulher poderosa quando não tem tempo para passar a camisa do namorado diz-lhe que hoje é ele que a tem de passar, ou que se quer que ela a passe, que vai ter ele de aspirar a sala, porque ela não se desdobra em três. Uma mulher poderosa sabe estar, sabe rir quando faz falta, convive, e é confiante. Uma mulher poderosa tem amigas de verdade, daquelas que não apontam o dedo. A mulher poderosa é a que converte naturalmente aquelas que lhe poderiam apontar o dedo, nas suas melhores amigas, com quem conversa e se ri das suas falhas ocasionais. Com elas é certo que não há capas de falsas moralidades ou pseudo-perfeições, porque no fundo, no fundo, todas falham às vezes, e podem falhar. Acima de tudo, uma mulher poderosa tem atitude para aceitar que no seu caminho vai perder muitas pessoas, nomeadamente muitas das mulheres que lhe apontam o dedo, mas sabe que quem tiver de ficar na sua vida, vai acabar por ficar. E essas que ficam são as tais, as que são poderosas como ela.



Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Monday, 10 February 2014

Qual é o sexo forte?

(Uma vez que hoje estou atarefadíssima de volta do trabalho para o jornal Hora H, um jornal Português aqui em Londres, para onde escrevo e faço trabalho de edição e revisão, já sei de antemão que hoje não vou ter tempo para escrever novo texto aqui para o blogue. Por esse motivo, seleccionei um texto que já foi publicado no Hora H em 2013. O tom ao longo do texto é diferente do habitual, uma vez que faz parte da coluna "Guerra dos Sexos" do jornal, em que tenho de me debater com o "Um Ganda Homem", um personagem machista. Os homens a que me refiro no texto são precisamente exemplares dessa espécie (por isso nada de generalizações. :P)

A primeira vez que me colocaram tal questão, deduzi que só poderia tratar-se de uma interrogação retórica. A resposta a essa pergunta está aos olhos de todos, a meu ver. Enerva-me que aos olhos de muito homens, as mulheres ainda sejam “as fracas”, “as dependentes”, “as frágeis” e “coitadinhas”. E por isso, considero que está na hora de dizer umas boas verdades, por mais que não seja como forma de tributo a todas as mulheres valentes que lutaram até hoje pela nossa igualdade de direitos. 

 inúmeras evidências que confirmam a nossa força, na realidade. Comecemos pela mais básica: somos nós, mulheres, a dar à luz, e nessas horas o nosso corpo suporta dores inimagináveis, agonizantes, supostamente insuportáveis. E como é que nós reagimos? Uma mulher reage com força, com coragem, e com amor, pois a sua preocupação é apenas o seu filho. A mulher é generosa, é altruísta e é, acima de tudo, mãe. Já certos homens, quando se picam numa agulha é um “Valha-nos Deus, que estou a morrer!”, imaginem agora se fossem eles a ter um bebé - a hora do parto seria anedótica, no mínimo.

Para além disso, a sociedade acabou por exigir de forma indireta que a mulher seja forte, dado que acarreta diversas funções simultaneamente. Uma mulher é/pode ser mãe (o que por si só é um trabalho a tempo inteiro), trabalha fora de casa, trata da lida da casa, vai às compras e faz tudo o que o marido não faz – isto quando está numa relação, pois cada vez mais esta opta por apostar na sua carreira e viver de forma totalmente independente, sem nenhum macho à perna para lhe trazer dores de cabeça ou atrapalhar o seu sucesso profissional. Vejamos, alguns homens (evidente que há exceções a isto) funcionam mais na  base do “Eu já trabalho muito no escritório e isso deixa-me esgotado para te ajudar nas lides domésticas, ou para ajudar o Francisquinho com os trabalhos de casa, faz lá isso tu, que eu agora estou a ver a final da Liga Europa e não posso perder isto”. Significa isto que o trabalho destes homens resume-se ao que fazem durante as 8 horas em que trabalha na empresa, depois disso é cruzar a perna e esperar que as mulheres (ou mães, mulheres também) tratem do resto. Vejam lá como eles são fortes e rijos! Ficam cansadinhos com 8 horas de trabalho. Pois, caros homens, fiquem a saber que a mulher tem de ser uma excelente gestora de tempo se quiser chegar à noite e cruzar a perna para poder ler um livro de forma tranquila.

Como se tudo isto não chegasse, a mulher tem de estar sempre elegante, bonita e bem tratada. A sociedade impôs um determinado estereótipo de beleza, que muitas de nós acabámos por adotar, o que aumenta muito o peso que temos sobre nós, visto que se uma mulher não se enquadra no dito padrão de beleza, o mundo vira-lhe as costas. A partir daí, há dois tipos de mulheres: as que se estão nas tintas para o que a sociedade machista lhes dita que é “ser-se bonita” e as que por motivos profissionais ou pessoais acabam por seguir esse padrão, o que as torna ainda mais exigentes em relação a si próprias. Por seu lado, o ritual diário de beleza do homem comum resume-se a passar um pente no cabelo e colocar o desodorizante de manhã, isto se não for um troglodita, que também há muitos desses por aí. Evidente que as coisas estão a mudar, e os homens cada vez mais sentem a pressão imposta pelo meio para serem mais bonitos e mais cuidados. Porém, no caso das mulheres, esse peso sente-se desde que nascemos.

Para finalizar, a mulher trava uma luta diária para ser perfeita em todas as áreas da sua vida e teve de lutar arduamente por todos os direitos que conquistou até hoje, e isso, por si só, torna-nos mais fortes, as mais fortes. Infelizmente, ainda há muitas de nós a sofrer pelo mundo fora, por serem vistas como inferiores ou incapazes, e hoje gostaria de dedicar a minha crónica a todas essas mulheres. Que sejam cada vez menos e que, juntas, sejamos cada vez mais fortes. Um grande “Bem haja” a todas nós!

80s Girl Power

Starbucks Party!


Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Thursday, 20 September 2012

ciumeira danada!



No regresso muito aguardado aos meus posts acerca de relacionamentos amorosos, e enquanto me debruçava sobre o assunto: "Mas sobre que raios vou escrever hoje?", surgiu de rompante na minha cabecinha o título (que aproveitei, note-se!) "Ciumeira danada".

Embora haja pessoas pouco ou nada ciumentas (diria que a percentagem não será elevada), sou menina para afirmar que o número de pessoas que têm vontade de arrancar cabelos (os seus e, principalmente, os do 'pouco provável, mas possível/potencial/claro' alvo da atenção do/a companheiro/a) à mínima desconfiança que o seu parceiro amoroso lançou um olhar insinuante à X pessoa que passou à sua frente ou que está do outro lado da sala a beber uma Cuba Libre e metida nos seus assuntos é muito superior (isto para não falar de casos mais escandalosos e evidentes, ou, como diz o outro, Óooobiiiios).

E se, como se costuma dizer, o ciúme é prova de amor, também é verdade que tudo o que vem em exagero enjoa e faz mal à saúde. Por mais que isso não abone a nosso favor, a verdade é que, e vou aqui concentrar-me no ciúme feminino, as mulheres são extremamente competitivas entre si, o que lhes traz inseguranças extra e, muitas vezes, desnecessárias se bem que, às vezes a vontade de dar um estalo bem dado a alguma nojentinha que se arma em esperta é mais que muita, que o diga eu - é melhor deixar de escrever estas coisas ou ainda me acusam de excesso de agressividade no blogue, e logo eu, que sou um docinho de côco.

Em pleno século XXI, a mulher quer-se confiante, segura, inteligente, uma mulher que ande ao seu próprio passo, que controle a sua vida (dentro do que é humanamente possível), o que nem sempre é necessariamente verdade. Dizem vocês agora: "Pois, pois, falar é muito bonito, mas e fazer?" Sim, é facto que a insegurança acaba muitas vezes por surgir à superfície e por nos levar a fazer coisas patetas e que podem colocar a relação que estamos a tentar preservar numa situação de risco, mas lá está, se não há nenhum tipo de confiança, também não faz sentido estar com a pessoa, certo? E uma coisa é o homem estar a mentir-nos à descarada, sabendo nós, de forma segura, da verdade factual; outra muito diferente é uma miúda ter passado à sua frente e ele, coitado, ter olhado para ela (era ela ou o poste, é compreensível que opte pela primeira opção, digo eu, vá).

Claro que nem sempre é tudo tão preto no branco, e por vezes estamos desconfiadas, mas não sabemos se ele está a esconder alguma coisa (pode não estar), mas sabemos que se estiver, é sereia da graúda. Nestes casos, aconselho inteligência e clareza. Controle, BB, controle é a solução para isso. Acima de tudo, é importante conhecer o nosso companheiro, perceber bem se ele se tem comportado de forma diferente no geral, se ele sempre foi de olhar para a perna da vizinha, ou pior, se tem tendência para tocar desnecessariamente na perna dela; ou se, pelo contrário, o homem é um santo que nos venera, embora de vez em quando lá deixe escapar ou fale abertamente connosco que X ou Y é muito bonita, o que não tem nada de mal.

Depois da fase de análise do tipo de homem que está ao nosso lado, nada de berreiros, nada de discussões de fazer vibrar as paredes do vizinho. A melhor forma é questionar de forma ingénua e indirecta (isto é, questões como "Estiveste com a Francisca de Tal ontem à noite no final do trabalho?" estão proibidas), para que ele não fique apavorado à primeira, caso estejamos erradas. Se a resposta for convincente - e aqui é preciso conhecer bem o homem que está à nossa frente e perceber até que ponto o gene de playboy lhe está entranhado no sangue - óptimo, assunto resolvido, PRÓOOOXIMO!

Se a resposta não bater certo de alguma forma, ou nos deixar com a pulga atrás da orelha, aconselho reavaliar a relação e o que queremos de facto, bem como se ele é o tipo de homem que queremos do nosso lado. Depois disso, um conversa final e franca é suficiente para tomar uma decisão sensata.

Como disse, apesar de nem sempre ser assim, o ideal é termos confiança em nós e nele. É essencial que sintamos que o nosso companheiro, tal como nós, se mostra, ao longo do tempo, digno dessa confiança, através de pequenos gestos diários de carinho e amor, que nos mostram que se preocupa connosco e nos ama, just the way we are, com as nossas inseguranças e tolices.

E para todas aquelas mulheres que querem espetar um estalo na fulana que se meteu descarada e desavergonhadamente com o vosso namorado/noivo/marido, comportem-se como as ladies que são - uma estalada de luva branca sabe sempre melhor e não nos deixa a mão vermelha. Trust me!

Beijinhos,

A Menina dos Óculos
The Bubbly Girl In Glasses

Monday, 21 May 2012

is monogamy monotonous?


In the past I have had some long relationships as well as short ones. I tried the whole "no strings" kind of thing too. In fact, I can fairly say I have experienced a lot in my past when it comes to my love life. As a friend of mine usually says, I am "the only person he knows that has lots of ex-boyfriends and an ex-fiancé" - he also loves teasing me by saying it won't last too long until I add an ex-husband to my EXs list (yup, he's a big time joker!!)

Anyway, from my vast experience (trust me, it is vast indeed) I gathered that relationships are only monotonous if couples allows them to be. It all depends on the way they handle things within their lives.

Naturally, as time goes by, couples are forced to create routines. Now, the question is: 'Must routines be boring?!?!' And the answer is only one: 'NOOOOOOO!' Next question: 'So how can we turn our routines into something non-monotonous?' Answer: 'Be creative. Have fun!' I can give you an example to prove my point. I don't particularly enjoy doing the laundry - and neither does Mr. Bubbly! But we turned it into a pleasant moment in our lives. How?! We turn the music on, we dance and do it together - it takes a lot longer to do it this way, but we enjoy it. Lesson number 1: Enjoy the time you spend together, so it becomes joyful and not monotonous.

We all have to follow strict schedules right? And that doesn't support my whole point of 'be creative and turn routines into pleasure', I guess. However, it is always a question of knowing how to manage time and be honest when it comes to setting your priorities. Since me and Mr. Bubbly started our relationship at the end of the school year, we were on holiday for our first months together and, therefore, travelled a lot together. After those initial couple of months, we always tried to overcome any routine issues by travelling, even if we only had the weekend to do that. That was never a problem: two-day getaways are as pleasant as a week holiday if you have the right person by your side. So, Lesson number 2: Learn how to manage time and find time for travelling if possible!

We don't have much free time now, since Mr. Bubbly is coaching at weekends. But I love doing small surprises at week days to help us ease up after a stressfull day of work. I try to recreate the whole hotel glamour of the beginning in our bedroom and prepare our favourite meals (some with memories attached) that we eat on our bed, just like we did in our first times together. It's cheaper, it's romantic and it's a routine-killer solution. Finally, Lesson number 3: Use your best memories together to organise small thoughtful surprises.

Well, these are my little tricks. They work for us. Mr. Bubbly has his own way of surprising me and the important thing is that both members of the couple are involved in turning routines into pleasant moments together. Once you learn how to do that, you will understand being monogamous is actually pretty exciting as well. And as for the ones who aren't monogamous, I'm pretty sure you're lives are not monotonous!:)

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Beijinhos,

The Bubbly Girl in Glasses
A Menina dos Óculos

Saturday, 19 May 2012

being single: boring or exciting?

Hi Bubbly Buddies!

I'm sorry that I was a bit more absent for the last couple of days, but I had been improving my cooking skills. I'm only working in the mornings (which will end soon) so I have free afternoons to spend doing whatever I want to. When this happens, and I don't feel like reading, writing or shopping, I either play Sudoku (Yup, I'm one of those weirdos :P) or I do cooking research and apply my skills. Well, at least Mr. Bubbly's happy (and fatter perhaps?!?!)

And speaking of Mr. Bubbly, this brings me to today's topic. We were having this discussion at lunch time. I had been cooking for hours to have Mr. Bubbly's lunch ready (such a housewife I'm turning out to be, pfffffffff) at 1p.m. and guess what?! He was late 25 minutes!!! I was talking to two of my (male) flatmates (one married and one single) and the single one said: "See?! That's an advantage of being single: not having to wait for my partner to have lunch! I can have lunch at any time!"

We then started doing a "Being Single" pros and cons list. The fact is that I couldn't really give a consistent contribution to the list. I honestly can't remember what it is like to be single. Curiously, my married friend could remember lots of advantages of being single: being independent and able to make your own decisions regardless of some partner's opinion; using your time the way you feel like; not being commited to one person and being able to have multiple sexual partners (with no regrets or remorse).

Even more curiously, my single friend could find many disadvantages of being single: not having a person you can share your life with; not having someone you can share the housechores with; not having the regular and steady support arm of somebody who will love you no matter what, not having someone that loves you "just the way you are" (okay, okay, I admit it - I added this one myself)

There's nothing wrong with being single. That's okay. I myself regret not having been single for a longer period in my past. I strongly believe being single can help you heal a sore heart or mind and sometimes that's just what we need. And although one can be happy with our friends' love, one must always bear in mind that that may not fulfill your life forever. That is a big part of it, but I like to think we are all looking for someone that loves us "just the way we are". I can't help being romantic, but I'm in love, what can I do? :)


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The Bubbly Girl in Glasses
A Menina dos Óculos

Wednesday, 1 June 2011

As minhas teorias... Bolas de Berlim e Croquetes



Quem me conhece bem, já conhecerá a teoria que eu gosto de apelidar de "Teoria das Bolas de Berlim e dos Croquetes". Tudo começou há uns anos, quando, em conversa com um ex meu, lhe expliquei que eu e ele não tínhamos dado certo no passado, uma vez que quando a nossa história tinha começado, ele era uma "Bola de Berlim" daquelas bem docinhas e a meio da relação já se tinha transformado num croquete bem salgado! Foi neste dia que eu desenvolvi toda uma teoria acerca do assunto.
Não me interpretem mal, eu adoro croquetes, agora o facto é que há mulheres que preferem croquetes (salgados) e há outras que preferem bolas de berlim (doces). E quanto a mim, por mais que goste de croquetes, sou uma mulher de doces. As questões aqui, até porque vocês neste momento devem estar a vaguear completamente sem perceber do que estou a falar, são "O que raios é um Homem-Croquete?" e "Que é isso de Homem-Bola-de-Berlim?" Passo a explicar, é tudo muito simples, na realidade! 

Os Homens-Bola-de-Berlim: 

  • são cavalheiros;
  • enviam-nos aquela mensagem a dizer: "Hoje estavas deslumbrante!" do nada, sem estarmos a contar com isso;
  •  conseguem ser sexy nos mais pequenos gestos, na brincadeira mais simples;
  • revelam publicamente cumplicidade com a namorada;
  • têm sentido de humor e são os primeiros a rir-se de si próprios;
  • agradecem e dão valor aos nossos gestos;
  • respeitam a namorada e orgulham-se dela;
  • não têm problema algum em assumir, perante a namorada, as suas fragilidades, assim como as suas virtudes.


Os Homens-Croquete: 

  • são distantes, fechados e frios;
  • não valorizam os nossos gestos em relação a eles, porque já se habituaram a eles, logo "é tudo normal";
  • têm dificuldade em exprimir os seus sentimentos;
  • têm dificuldades em assumir ou manter um compromisso;
  • não manifestam o seu carinho com a frequência desejável;
  • têm um humor instável;
  • não se esforçam para que a relação vingue, esperando que seja a companheira a ultrapassar os problemas da relação.
Provavelmente, o que vos está a passar pela cabeça é que teria sido muito mais fácil dividir os homens em dois grupos, alterando-lhes simplesmente os nomes para: "Os homens que nos amam/amaram" e "Os homens que não nos amam/amaram". Sim, por um lado, faz sentido, aliás, na verdade é possível encontrarmos estes dois comportamentos na mesma pessoa, ao longo da mesma relação, o que revelará uma mudança de sentimentos drástica, que foi algo semelhante ao que aconteceu na relação do meu passado e  que referi no início.

Por outro lado, há homens que são naturalmente mais fechados, mais frios, e que têm mais dificuldades em dizer "Eu amo-te"quer estejam apaixonados, quer não estejam. E nesse caso, a minha divisão fará mais sentido. 

Em conclusão, os Homens-Croquete são um tipo de Mr. Big nas primeiras séries do "Sex & the City", enquanto os Homens-Bolas-de-Berlim, são uma espécie de Aidan, disposto a amar, aberto a uma relação apaixonada, e sem medo de enfrentar o que isso implica. E, se pessoalmente, sou mais mulher para me apaixonar por uma Bola de Berlim e por um Aidan, há por aí muita mulher que preferiria um Croquete e que não trocaria um Mr. Big pelo romântico mais babado.

Há gostos para tudo e eu gosto disso!

Beijinhos e boa noite,
A Menina dos Óculos