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Monday, 10 March 2014

R.E.S.P.E.C.T.



As pessoas conquistam o respeito umas das outras das mais variadas formas. Porém, no passado fim-de-semana apercebi-me de duas outras formas que nunca tinha equacionado no passado e que de facto, fazem todo o sentido.

O sucesso profissional costuma ser um dos denominadores comuns das pessoas que mais frequentemente ganham a admiração dos seus pares e da sociedade em geral, o que é perfeitamente compreensível, dado que a profissão e o income resultante da mesma, se for bastante acima da considerada 'média', é sinónimo de status. E hoje em dia, dinheiro significa poder económico e poder económico, por sua vez, equivale a respeito.

Além do lado do poder económico e sucesso na carreira, acredito que os chamados "self-made" man/woman também conquistam a admiração dos que os rodeiam, pois hoje em dia não é fácil chegar  ao sucesso independentemente de cunhas, de referências, de conhecimentos da família. Construir um caminho de sucesso e que nos faça felizes (independentemente do salário ao fim do mês) através do nosso talento natural, do nosso esforço, dedicação e sacrifícios é algo digno de suscitar o respeito de outros que, da mesma forma, ambicionam construir o seu caminho passo a passo.

Por outro lado, também há quem ganhe o respeito da sociedade pelo seu empenho em causas humanitárias, pelo seu trabalho de voluntariado, pelo seu lado mais altruísta, e que não se vê com tanta frequência. Estas pessoas têm, sem sombra de dúvidas,  de ser valorizadas pela sua generosidade, pela sua humildade, pelo seu trabalho. E a sociedade acaba por reconhecer (se calhar não o suficiente) estas pessoas e estas acabam por ser o depositório da confiança e respeito dos que as rodeiam.

As mulheres que geralmente conseguem ter uma vida profissional activa e de sucesso, bem como despender de tempo para manter uma vida familiar (que normalmente inclui ter marido e/ou filhos) saudável, acabam também por ser alvo do reconhecimento do seu esforço e sacrifício por parte daquelas que, como elas batalham diariamente para estar naquele nível de "quase-perfeição" em todas as áreas da sua vida. Apesar da mulher ser geralmente tida como mazinha e maledicente, gosto de acreditar que no fundo reconhece o valor das que, tal como ela, sofrem para manter o sucesso na sua carreira, conservando a sua felicidade familiar.

Porém, e embora haja ainda muitas outras formas de se conquistar o respeito dos outros, este fim-de-semana, na nossa saída de sábado à noite fomos para Camden Town, um dos locais mais alternativos de Londres para as saídas nocturnas, mas também um dos mais divertidos. Apercebi-me lá, que as mulheres conquistam o respeito umas das outras pela audácia e bom-gosto (qualidades que são, no caso, indissociáveis) do que vestem. O facto é que, ao passar por uma mulher no cume do seu salto alto (ou até flat ankle boots), que não recorre ao vestido preto justo básico ou aos típicos acessórios já mais que batidos, senti-me conquistada - conquistada pela atitude, conquistada pelo facto de me identificar com o que considerei bom gosto. É evidente que pessoas com gostos e interesses idênticos conquistam o respeito umas das outras, mas neste caso, tratando-se de algo habitualmente considerado superficial, como é a roupa, mas que acaba por dizer tanto da confiança e personalidade de uma mulher. E sim, como mulher, já senti que algumas mulheres ganhassem a minha admiração pela statement que fazem diariamente pelo modo como se vestem.

No Domingo, após a saída de Sábado, decidimos fazer um piquenique entre amigos no Regent's Park. Estava um dia lindo, radiante de luz e o sol estava convidativo. Os homens do grupo decidiram oferecer-se para jogar um jogo de futebol com uns Ingleses que já lá estavam. O que me apercebi é que dentro de um jogo de futebol, e entre homens, aqueles que fazem mais show acabam por ganhar o respeito dos restantes. É quase como ser o Rei dos Relvados, mas o facto é que os homens que dominam dentro do campo, fora dele acabam por ser vistos com olhos de admiração por parte dos outros. Claro que isso faria do Cristiano Ronaldo o homem mais admirado do mundo, e supostamente não é assim que acontece. Contudo, por mais que haja quem diga mal dele, e o acuse de ser arrogante e convencido (eu limito-me a ter orgulho nele e no trabalho que desenvolve, em vez de perder tempo a dizer mal de alguém que tão bem representa o nosso país), ninguém pode negar que ele chegou onde chegou porque suou (e muito) a sua camisola. Ele não se limitou a deitar à sombra da bananeira e a saborear os frutos do seu talento. Por mais más línguas que haja, ele conquistou o respeito de todos (mesmo dos que dizem mal dele) dentro do campo, e contra factos, não há argumentos.

Para saberem mais de The Bubbly Girl in Glasses,

Acompanhem também o meu outro site More than Labels!
E vejam ESTE POST sem falta! É o meu primeiro vídeo no Youtube.
Por falar neste vídeo, já fizeram o download da ASAP54? Experimentem, que vão adorar!

Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Monday, 24 February 2014

Sem rede de segurança...

Hoje começo este post sem a mínima ideia acerca do que vou escrever. Não costumo fazê-lo, admito que é algo estranho para mim. Sou daquelas pessoas que geralmente precisa de orientação, de planos, de objectivos, de estratégias delineadas para me sentir segura e feliz. Não quer isto dizer que, às tantas quantas, não acabe muitas vezes por alterar esses ditos "planos", esses tais "objectivos". Não me agarro a eles como se fossem a minha única salvação, mas sinto que funcionam como uma rede de segurança que me garante a confiança para seguir em frente, com menos medo, menos receios. Gosto de ter o plano A, o B, o C… E sou assim em vários campos, seja profissionalmente, seja no modo como percebo as relações, seja até na cozinha, onde tanto me divirto (hoje fiz um 5 o'clock tea cake para o lanche do Mr. Bubbly, que deve estar fabuloso, mais não seja pela quantidade de brandy que leva…), enfim, tenho dificuldade em combatê-lo, daí que hoje me tenha proposto a começar esta crónica precisamente sem tema, sem rede de segurança, experimentando e deixando-me levar por onde quer que a minha imaginação e raciocínio me levasse. E para ser sincera, por agora estou a gostar.

Ser espontâneo traz-nos tanto de bom, e confesso que grande parte das vezes os meus planos não correm exactamente de acordo com o esperado (quase sempre, vá), mas custa bastante deixarmo-nos levar pela onda e ver no que dá (pelo menos a mim, custa…). Eu sou geralmente uma pessoa comedida, tranquila, não sou de dizer tudo o que me vem à cabeça, a menos que esteja com um grupo de amigos muito, muito próximo (assim daqueles que conheço desde o secundário, para terem noção). É o meu jeito, é a minha maneira de ser, foi o modo como aprendi a interagir. Basicamente, tenho a noção que se disser tudo o que me passa pela cabeça, os meus amigos vão ficar a pensar que tenho de ser internada, porque por vezes passam-me coisas muito, muito estúpidas pela cabecinha. Este fim-de-semana dei por mim numa festa com amigos e tendo em consideração que tenho alguma sensibilidade ao álcool (dois ou três copinhos de Rosé - nem precisam de estar cheios - e já estou no ponto H - de Happy), acabei por me desbroncar toda e, bem, lá espontânea fui. Não sei é se eles ficaram assustados ou a pensar que tenho algum problema grave e tenho de ser internada. O facto é que nos divertimos imenso e nos rimos a bom rir das patetices que eu a Ângela e a Rafaela passamos a noite a fazer e a dizer. Por vezes, ser espontâneo sabe bem, lembra-nos que a vida não tem de ser tão séria, não tem de ser só acerca dos nossos projectos, dos nossos objectivos. 

Profissionalmente, neste momento, estou a ser bastante espontânea, não haja dúvida. Claro que tenho a sorte de ter um suporte financeiro que me permite sê-lo; sem isso seria impossível dar-me ao luxo de desistir do ensino aqui em Londres (vade retro), escrever neste blogue com a regularidade com que estou a fazer, de trabalhar num jornal comunitário, de poder despender tanto tempo nas minhas culinarices, ou de estar a desenvolver um projecto aqui em Londres que vos apresentarei assim que possível. Nunca antes me tinha entregue a este tipo de espontaneidade profissional. Ainda não estou no ponto em que possa dizer que o que faço recompensa financeiramente, mas sinto que já estive mais longe. Força de vontade não me falta, e isso era algo que enquanto professora em Londres, me faltava. O melhor de tudo é que embora sinta muito a falta dos meus alunos em Portugal, daqueles queriduchos todos de que nunca me esqueço e que vou seguindo conforme posso, estou a fazer algo que me faz feliz: escrever, e nunca antes me tinha dado a oportunidade de fazer algo 24/7 só porque me dá prazer, vislumbrando a possibilidade de isso me trazer algum retorno que não seja só o prazer de o fazer.

No amor, a espontaneidade, o apostar em correr riscos trouxeram-me o Mr. Bubbly. Ele era uma espécie de playboyzinho com fama de não se apaixonar facilmente. Logo à partida ele era aquilo que eu não precisava na minha (na altura) vida extremamente estável e planeada a todos os níveis possíveis e imaginários. Por outro lado, tinha o sentido de humor que eu gostava, tinha a ambição e os projectos que eu acreditava poder ajudar a desenvolver, tinha o ar descontraído e descomplicado que me atraía nos homens, e tinha aquele jeito que me deixava desconfiada por um lado, mas que me fazia derreter por outro. Apesar das minhas reticências, acabei por me entregar à espontaneidade, de aceitar o desafio, de experimentar, e cá estamos hoje: casados duas vezes, e felizes. A nossa vida não é perfeita, nem é isso que quero aparentar, temos as nossas discussões (muito raramente, nem me lembro da última para ser honesta, deve ter sido porque ele deixou as chuteiras na cozinha - o habitual), não concordamos em tudo, não é tudo rosa, mas sabemos ver o que temos de positivo na nossa relação, valorizar o bom que o outro traz às nossas vidas e estamos sempre lá um para o outro, para o concretizar dos nossos objectivos e para aquelas fases em que nada corre de acordo com o que tínhamos planeado.

Tenho 31 anos e ainda estou a aprender a viver de forma espontânea, a abraçar e apreciar essa espontaneidade, e agora que penso, ter escrito esta crónica de forma tão espontânea fez-me perceber o que de outra forma ainda não tinha concluído: até agora, ser espontânea, nunca me desiludiu; pelo contrário fez-me feliz. Acho que o mote do dia (e dos próximos tempos) vai ser mesmo esse: dar largas à espontaneidade, sem rede de segurança, e esperar que o está por vir seja tão bom como o que veio até aqui.



Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Tuesday, 18 February 2014

Como?! Não te percebo!!

No emprego, na escola, ou em casa, um dos factores responsáveis por muitas discussões e mal-entendidos é mesmo a quebra ou falha na comunicação. Num casal, a ausência de diálogo bem sucedido e de comunicação efectiva podem ser, muitas vezes, a causa de ruptura emocional e desgaste da relação.

Vivemos na década da comunicação virtual, sempre ligados ao Facebook, ao Twitter e ao telemóvel. A maior parte dos meus conhecidos (eu e o Mr. Bubbly inclusivamente) já não vive sem o iPhone, sem o iPad, sem o iPod ou o laptop e não aguenta muito tempo sem conferir os estados dos amigos na página do mural, sendo que mais facilmente deixamos uma mensagem no mural deles, do que lhes ligamos para marcar um café durante o dias de semana. Numa cidade tão grande como Londres, é facto que durante a semana nem sempre é fácil estarmos com o nosso grupo de amigos (moramos na zona 2, em Clapham North, na zona sul de Londres) e temos alguns amigos que moram no norte, pelo que ao fim do dia, após horas no metro, não há grande vontade de nos enfiarmos de novo no metro, armados em toupeiras, para estarmos juntos. E basicamente costumamos juntar-nos ao fim-de-semana. 

O meu Mr. Bubbly, conhecido como o workaholic assumido do grupo, é o pior de todos, infelizmente. Este Sábado estávamos todos no Ice Wharf de Camden e ele estava de volta do telemóvel a falar com o D. de assuntos de trabalho, quando devia estar a conviver. Claro que todos o conhecem e sabem que é mais forte que ele, pois ele vive num ritmo fora do normal, mesmo para uma cidade como Londres.

Nas relações amorosas , porém, este tipo de falhas, se repetido continuamente, não é tão facilmente colmatado, por mais tolerância que haja. Dou por nós às vezes a tomar o pequeno-almoço e em vez de estarmos a conversar, estamos os dois agarrados ao telemóvel: ele a ver as notícias de futebol nos jornais Portugueses e eu de volta dos blogues. Claro que sabemos que isto é errado, e por isso, geralmente acabamos por ter uma conversa em que acordamos não tocar nos telemóveis à refeição ou à noite. Costumamos aguentar uns dias, mas confesso que estes acordos nunca duram muito tempo connosco.

Felizmente, no meio disto tudo, principalmente nas horas antes de ir para a cama e ao jantar conseguimos conversar e sinto que, no geral, apesar de termos muito para melhorar, não estamos num nível vergonhoso de falhanço comunicacional. Entendemo-nos à nossa maneira e conseguimos tirar o nosso tempinho para conversar todos os dias e partilhar o que nos apetecer ao final do dia. 

Há, porém, uma situação diferente que não se prende com a inexistência de diálogo (há pelo menos a tentativa), mas com a ineficiência do diálogo. Isso acontece, por exemplo, quando vivemos num ritmo alucinado e pensamos no que queremos dizer à pessoa, e na hora de o dizer, como estávamos a pensar nisso, assumimos naturalmente que já o dissemos (confundindo pensamento com verbalização). Apesar de ser algo aborrecido porque depois chegamos a um ponto da conversa em que parece que estamos a falar línguas diferentes, e ninguém se entende, este nem é o pior caso. O problema maior está quando se conversa com o companheiro e nenhum dos dois tem o tacto e bom senso para perceber qual o modo de abordar determinados assuntos e ou de dizer certas coisas, que podem ferir a sensibilidade e ser mal interpretadas. Por melhor que seja a intenção, este tipo de coisas, principalmente no início das relações, quando ainda não conhecemos a pessoa a fundo, pode complicar tudo. Este tipo de mal-entendidos pode deixar marcas se não houver um nível de tolerância de ambas as partes. De qualquer forma, com o passar do tempo é natural que este tipo de problemas se vá dissipando, à medida que o nível de cumplicidade do casal vai aumentando.

É normal que nem sempre nos apeteça estar horas a falar com o nosso companheiro, mas a verdade é que este é um hábito saudável que devemos alimentar. É comum que às vezes nos apeteça dar uma espreitadela no Facebook, quando estamos com amigos, mas isso não nos traz, efectivamente, nada de bom. Socialmente, bem como na nossa intimidade, a comunicação deve ser aprendida, incentivada, trabalhada, desenvolvida. Daí só surgirão coisas boas. 

No entanto, se for para conferirem as novidades aqui no blogue, confiram vá, mas em vez de lerem as minhas crónicas sozinhas, porque não lê-las com a amiga ou com o marido? Interesses (pessoais) à parte, até acho uma boa sugestão!

Miminho ainda do casamento! :)

Beijinhos, 

A Menina dos Óculos