Friday, 28 February 2014

No Starbucks de Clapham...

Como já aqui disse várias vezes, o meu local preferido para escrever é aqui no Starbucks de Clapham. Depois de trabalhar no computador durante a manhã, ir ao gym (nos últimos dias não tenho conseguido ir) e almoçar, costumo ir para lá e pensar os posts dos dias seguintes, bem como preparar o material do More than Labels. O Starbucks de Clapham é muito amigável, e está sempre recheado de jovens de ar simpático.  Ao fundo tem uma mesa comprida que costumo partilhar com os meus 'amigos' desconhecidos - alguns deles são já uns habitués do local (e da mesa, claro) - e onde fico praticamente sempre porque fica perto da tomada de electricidade, e como geralmente tenho de carregar o computador, dá mais jeito.

Ontem, quando cheguei, a mesa estava aparentemente cheia. Eu até podia sentar-me no balcão, mas nós, pessoas que escrevem, temos manias esquisitas, e eu acho sempre que a minha inspiração e criatividade ficam empoladas naquela mesa. Ia preparar-me para me sentar no balcão, num daqueles bancos que deixa os meus pés sem apoio, qual criança sentada no sofá alto da sala dos avós, quando um homem, talvez nos seus 30 e tal, retira o casaco da cadeira ao seu lado (que eu pensei estar ocupada) e me acena para me sentar lá. Sorri-lhe e agradeci. Ufffa, que alívio! Now we're talking! Hoje é que vai ser escrever como se não houvesse amanhã! Estes dedinhos vão teclar tanto que até vou ter caibras!, pensava eu.

Entretanto, enquanto preparava o estaminé para começar a trabalhar, ele olha para mim e pergunta, Oh, are you into fashion?, ao que respondo que sim, com ar tímido, enquanto já estou de volta de umas fotos para o site de moda. E ele volta a tentar a sorte, You look like a journalist, are you? Respondo que não, mas que trabalho para um jornal e escrevo. Ele continuou a fazer perguntas sobre o jornal, mas apercebendo-se que eu queria continuar a trabalhar, parou discreta e gradualmente de fazer perguntas. Mais tarde, enquanto balouçava a cabeça ao som da música ambiente que tocava a bom som no café, ele perguntou-me se reconhecia a cantora e disse-me que a conhecia, e blá blá blá. E meia hora depois, ainda me questionou acerca do carregador do iPhone, pois o dele estava quase sem bateria, e queria saber se eu tinha um comigo. Nunca vou saber se ele estava a praticar a arte do engate, ou se estava só a tentar ser simpático. O facto é que numa cidade em que as pessoas não são dadas ao sorriso, eu sou muito sorridente (mesmo, mesmo, ando sempre com os dentes à mostra), e se calhar isso abriu-lhe as portas para falar e estar à vontade.

Por um lado, apercebi-me também com esta situação da posição dos homens. Muitas vezes, as mulheres não dão o primeiro passo, pois assumem que isso é o papel do homem (e eu admito que sempre fui assim), mas hoje com o estranho do Starbucks - chamemos-lhe John, já que não sei o seu nome -, o John, fiquei a pensar que provavelmente é uma posição ingrata. Os homens, suponho, já estão habituados aos recuos e às negas das mulheres, mas mesmo assim, não consigo parar de pensar que muitas vezes é preciso um esforço e uma coragem enormes para meter conversa com alguém do nada. Eu própria não sei se conseguiria fazê-lo. Graças a Deus que não sou homem!

Por outro lado, nós, mulheres (muitas de nós, pelo menos, vá) estamos habituadas a ser o centro das atenções e a ser o alvo do engate e do interesse masculinos. Quando acontece o contrário, a mulher é normalmente olhada de lado pelas suas pares, porque é oferecida, fácil e vulgar. É fácil acusar uma mulher disso numa situação dessas, certo? No entanto, quando é um homem a fazê-lo, é normal, é o seu dever, é o seu papel, e isso não faz dele um fácil. Estranho estarmos já no século XXI e ainda assistirmos a este tipo de sexismo.

No geral, acho que quando feita com respeito e bom senso, a abordagem deve ser de louvar, mais que não seja pela coragem, tanto da parte do homem, como da mulher. Afinal, se não houvesse ninguém que desse o primeiro passo, não haveria finais felizes, e o que seria deste blogue sem finais felizes?



Fiquem a saber mais acerca do The Bubbly Girl in Glasses no:

E não se esqueçam de dar uma olhadela no meu outro site

Aconselho ESTE post e ESTE. E claro, o meu último, ESTE!

Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Thursday, 27 February 2014

Olhe, desculpe, pode indicar-me a direcção para o amor?

É sabido que não há uma bússola ou um mapa que nos indique ou direcione para o amor verdadeiro, mas também é certo que um dos dois me tinha dado um jeitaço antes de ter conhecido o Mr. Bubbly. Com certeza teria errado muito menos, tropeçado quase nunca e teria agora menos cicatrizes dos meus fracassos amorosos do passado.

O facto é que, não havendo nenhuma geringonça que nos oriente, nem nenhum transeunte disponível que domine as ruas e avenidas do amor para responder às nossas questões, a solução que nos resta é confiar nos nossos instintos e acreditar que haverá luz ao fundo do túnel. Curiosamente, eu sou um terror com direcções, sou daquelas pessoas que pergunta: Olhe, desculpe, sabe-me dizer como se chega ao restaurante X de Tal?, e depois fico a ouvir muito atentamente como se estivesse a acompanhar (e a perceber tudo), mas a verdade é que à segunda curva à esquerda já estou desconcentrada e a reparar no chapéu que o senhor que me está a responder passeia na cabeça, enquanto aceno em sinal de entendimento [És uma falsa Menina dos Óculos!!], mas sem ouvir uma palavra do que me está a ser dito. E o pior é que, tratando-se de direcções, mesmo quando consigo inexplicavelmente fazer um esforço heróico de concentração para ouvir tudo o que me dizem, esqueço-me imediatamente se viro na 2ª à direita ou na 3ª à esquerda. É absurdo! Tão absurdo como a minha capacidade de orientação!

Desenganem-se, tanto nas direcções das estradas, como nas direcções do amor, fiz asneiras a "dar com pau". E se nos perdermos na estrada, menos mal, que sempre podemos voltar atrás, mas se nos perdemos nos nossos sentimentos, voltar atrás já parece coisa do demónio, que este nosso coração é teimoso que nem uma mula e muitas vezes é estúpido c faz-nos fazer coisas mesmo parvas. A única solução quando já estamos perdidinhos de todo é parar para pensar no que fizemos de mal, por que caminho é que seguimos que não deveríamos ter seguido, e, tal como quando nos perdemos na rua, temos de voltar atrás, ao ponto de partida, e começar de novo.

Por vezes, é normal acharmos que se calhar não precisamos de recuar e fazer tudo de novo e bem, preferimos insistir na burrice nos nossos erros e achamos que podemos remediar a situação e encontrar um atalho após estarmos perdidos, sem ser necessário voltar o caminho todo para trás. Até pode acontecer, mas não acontece com frequência, por isso quando é assim, nada de arriscar, que depois é pior a emenda que o soneto e estamos só a atrasar o momento em que voltamos a estar orientados.

Depois disto, vou mas é ali mandar um email ao CEO da Google, para ver se ele alinha em inventar uma aplicação chamada Google Love-Maps, só para nos facilitar a vida!


Acompanhem a Menina dos Óculos no

Também podem acompanhar o meu site de moda, que não custa nada e até é giro ;)
Aconselho ESTE post e ESTE! :)

Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Wednesday, 26 February 2014

Resident Single Londoners

Londres é o exemplo perfeito de uma cidade de solteiros. Desconfio que a inspiração do Resident Evil foi esta cidade, mas em vez de "solteiros", colocaram zombies, para os Londrinos não se sentirem directamente afectados. A verdade é que durante as horas de ponta, no metro, as pessoas mais parecem zombies mesmo - uns encostados ao vidro a ressonar, outros em modo automático, sentados e a olhar o vazio, como se naquelas cabecinhas só passeasse ar e vento, outros a ouvir rotineiramente a sua musiquinha no iPhone, e outros a ler o seu livro, esmagados por todos os lados , com o braço levantado a segurar o livro sem nunca desistir de o ler apesar das condições pouco convidativas (estes devem ser os heróis do filme original "Resident Single" (Londoners, acrescentaria eu).

Ser solteiro parece ter-se tornado uma epidemia contagiante. Por cá encontram-se alguns casais, sim, mas comparativamente, o número de solteiros é esmagador, e só nos apercebemos da dimensão desse número quando saímos sexta ou sábado à noite por cá. São estes os dias em que os solitários à procura de amor (ou algo mais superficial)
saem de casa e enfrentam um possível romance - costuma ser mais uma one-night stand, na verdade (tal como em Portugal, conhecer pessoas à noite e iniciar uma relação com elas não é fácil, embora possa acontecer), mas alguns acreditam que o flirt é suficiente para colmatar as carências de afecto e atenção. A meu ver, não é suficiente, porque se baseia em algo muito superficial, mas numa cidade como Londres, competitiva e absurdamente agitada, até que ponto é que é fácil iniciar uma relação séria e estável?

Os Londoners preocupam-se com o trabalho e pouco mais. Não são muito dados à culinária (não têm fama disso, é sabido) e esperam sempre pelo final do dia de trabalho para beber uma pint com os amigos no bar irlandês da esquina. Investem bastante na socialização com os amigos, com quem viajam e passam bastante tempo. Contudo, na hora de aprofundar uma relação, algo parece, muitas vezes falhar, ou por falta de experiência, ou por falta de maturidade, ou por falta de tempo, ou, simplesmente, por falta de vontade de uma, ou das duas partes. Talvez porque eu seja do Sul da Europa, um povo mais quente, que vive o amor mais intensamente, me pareça estranha esta dificuldade que eles demonstram em dar o próximo passo.

Contudo, passado algum tempo, acabo por compreender que para muitos deles (principalmente, mas não exclusivamente, para os homens) assentar implica ter muito menos tempo para os amigos e para investir na carreira. As mulheres e, no caso uma relação estável, ou até a possibilidade de iniciar uma família exigem muito tempo, de que eles teriam de abdicar, e as suas vidas nunca mais seriam as mesmas. A mudança pode ser assustadora, se pensarmos que nesta cidade muitas vezes são as rotinas que nos dão a sensação de segurança e de conforto. Além disso, o facto é que chegando a sexta-feira à noite, só dorme sozinho quem quer, e variedade é o que não falta nesta terra.

Para mim, que sou uma romântica, quando vejo um casal apaixonado cá, abro logo um sorriso - é sinal que dois single Londoners se encontraram e podem agora tentar a felicidade juntos, sem medos. E quanto aos outros, não critico a sua forma de viver ou de entender a vida e o amor, aliás, acredito que também sejam felizes, à sua maneira. Acredito também que no dia em que souberem o que estão a perder, não vão querer outra coisa.


Podem saber mais do The Bubbly Girl in Glasses no

Para acompanharem o meu novo website de moda, sigam

Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Tuesday, 25 February 2014

Tanto para fazer e tão pouco tempo!! ARRRRHHH!

O dia hoje está chuvoso e escuro por Londres. Eu ando maluca com o início do meu novo site More than Labels. Parece que não, mas dá imenso trabalho, e como vos tinha prometido, está fora de questão de abandonar o nosso cantinho, acho que mesmo que decidisse que era melhor para mim, neste momento já não conseguiria fazê-lo. O The Bubbly Girl in Glasses já esteve parado tantos meses no passado e não consegui fechá-lo, porque achava que o blogue ainda tinha muito para dar, e não há-de ser agora que vou baixar os braços, muito pelo contrário, apesar de todo o trabalho que envolve manter estes dois projectos, o prazer que estes me proporcionam compensa tudo.

No entanto, apesar disso, posso trabalhar de casa, mesmo para o jornal, também não preciso de estar sempre com a equipa a fazê-lo posso ir fazendo de casa. Para aquelas pessoas que têm de conciliar tudo, e principalmente já têm filhos, não imagino o sufoco que deva ser. O tempo nos dias de hoje não se mede de facto pelas horas do dia, mas sim pela quantidade de trabalho/coisas que fazemos ao longo do mesmo. Basicamente se apenas conseguirmos terminar uma das tarefas que nos tínhamos proposto, significa que o dia não rendeu e a sensação de frustração ao final do dia é angustiante. Muitas das vezes são as nossas relações (familares e de amizade) que acabam por pagar por isso. O trabalho que não se faz no local de emprego, faz-se em casa nas horas vagas, o que normalmente implica menos tempo para estar com quem tem, efectivamente, importância para nós.

Calculo que cheguemos a um momento na vida em que temos todos de equacionar quais são as nossas prioridades em termos da gestão do tempo que fazemos. Lembro-me que quando estava em Portugal (já no último ano) dava por mim a concluir que seria impossível criar um filho um dia, se mantivesse o rimo e o estilo de vida que levava - a quantidade de aulas que dava era de loucos, e tornaria a maternidade uma mera ilusão. Eu acabei por tomar a decisão de vir para Londres, também com isso em mente, pelo facto de não querer abdicar do nível de vida que tinha e dos projectos que me faltava concretizar, e o Mr. Bubbly estava exactamente a pensar da mesma forma.

Há alturas em que sair do país não é opção, pelo que há que tentar encontrar formas de "multiplicar" o tempo. Como? Bem, eu tenho aqui uma listinha de sugestões:

1. Fazer as tarefas domésticas a dois quando é o caso (e fazê-las juntos, para que assim se passe mais algum tempo a conversar);
2. Envolver os filhos (quando os há) em algumas tarefas, como preparar um bolo, ou ajudar a dobrar as meias, por exemplo;
3. Tentar agrupar o máximo de tarefas para os dias da semana (que já sabemos estão perdidos de qualquer forma), libertando assim os fins-de-semana;
4. Aproveitar os furos no horário para conviver, seja à hora de almoço com os colegas de trabalho, ou no caminho para casa ao telefone com a amiga (não é o mesmo que estar com ela, mas já não é mau de todo);
5. Encontrar estratégias para desligar o botãozinho do trabalho ao fim-de-semana (tempo sagrado, em que não se deve sequer pensar nos problemas ou prazos do emprego);
6. Tirar algum tempo para nós, nem que seja só ao Sábado de manhã. Havendo filhos, é mais complicado, mas se se combinar bem as coisas com o pai, ele pode ficar com a criança ao sábado de manhã e nós ficamos com ela ao domingo à noite, quando ele está a ver o jogo de futebol, por exemplo;
7. Por vezes, quando cozinhamos, podemos cozinhar em mais quantidade e congelar parte da comida para aqueles dias em que não nos apetece nadinha estar na cozinha depois de um dia de trabalho;
8. Não ir ao supermercado 3 vezes à semana (os meus pais têm essa mania, mas eu acho uma perda de tempo). Façam a lista ao fim-de-semana do que vão cozinhar durante a semana (só nisso já poupam imenso tempo) e depois comprem o máximo possível dos itens da vossa lista para não andarem sempre a correr para o mesmo sítio.

Bem, claro que não há milagres, mas sempre podemos tentar facilitar a nossa vida. Eu só sei é que ainda não tenho filhotes e já tenho tão pouco tempo! Já agora, se os meus conselhos resultarem, avisem, sim? :)



Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Monday, 24 February 2014

More than Labels

E a crónica que escrevi hoje de tarde, apesar de espontânea, não poderia ter vindo mais a calhar, porque já estou há algum tempo (desde o início do ano para ser mais precisa) com um novo projecto na manga que queria muito partilhar convosco, o More than Labels, um site de moda que comecei a desenvolver e que está agora a ganhar vida, e hoje a ser inaugurado oficialmente.

Todo ele é escrito em Inglês, de modo a permitir que seja lido não só por Portugueses, mas também por pessoas de outras nacionalidades, nomeadamente os Britânicos. Ora evidentemente que isto não significa que vou deixar de escrever em Português, aqui no The Bubbly Girl in Glasses (Naaaah, não se vêem livre de mim assim tão depressa); continuarei a escrever aqui no nosso cantinho, porque escrever na minha língua é algo que me conforta, e é algo de que descobri há algum tempo, me faz um bocadinho mais feliz todos os dias.

Assim, não fiquem com ciúmes (;P), eu vou continuar por cá, e vocês podem continuar a ser uns queridos e seguir-me também por lá. Prometo que vai valer MUUUIIITOOOO a pena, principalmente para os fanáticos sartorialistas (como eu) que já gostavam de me visitar…

Conheçam o More than Labels AQUI!
O More than Labels também está no


Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Sem rede de segurança...

Hoje começo este post sem a mínima ideia acerca do que vou escrever. Não costumo fazê-lo, admito que é algo estranho para mim. Sou daquelas pessoas que geralmente precisa de orientação, de planos, de objectivos, de estratégias delineadas para me sentir segura e feliz. Não quer isto dizer que, às tantas quantas, não acabe muitas vezes por alterar esses ditos "planos", esses tais "objectivos". Não me agarro a eles como se fossem a minha única salvação, mas sinto que funcionam como uma rede de segurança que me garante a confiança para seguir em frente, com menos medo, menos receios. Gosto de ter o plano A, o B, o C… E sou assim em vários campos, seja profissionalmente, seja no modo como percebo as relações, seja até na cozinha, onde tanto me divirto (hoje fiz um 5 o'clock tea cake para o lanche do Mr. Bubbly, que deve estar fabuloso, mais não seja pela quantidade de brandy que leva…), enfim, tenho dificuldade em combatê-lo, daí que hoje me tenha proposto a começar esta crónica precisamente sem tema, sem rede de segurança, experimentando e deixando-me levar por onde quer que a minha imaginação e raciocínio me levasse. E para ser sincera, por agora estou a gostar.

Ser espontâneo traz-nos tanto de bom, e confesso que grande parte das vezes os meus planos não correm exactamente de acordo com o esperado (quase sempre, vá), mas custa bastante deixarmo-nos levar pela onda e ver no que dá (pelo menos a mim, custa…). Eu sou geralmente uma pessoa comedida, tranquila, não sou de dizer tudo o que me vem à cabeça, a menos que esteja com um grupo de amigos muito, muito próximo (assim daqueles que conheço desde o secundário, para terem noção). É o meu jeito, é a minha maneira de ser, foi o modo como aprendi a interagir. Basicamente, tenho a noção que se disser tudo o que me passa pela cabeça, os meus amigos vão ficar a pensar que tenho de ser internada, porque por vezes passam-me coisas muito, muito estúpidas pela cabecinha. Este fim-de-semana dei por mim numa festa com amigos e tendo em consideração que tenho alguma sensibilidade ao álcool (dois ou três copinhos de Rosé - nem precisam de estar cheios - e já estou no ponto H - de Happy), acabei por me desbroncar toda e, bem, lá espontânea fui. Não sei é se eles ficaram assustados ou a pensar que tenho algum problema grave e tenho de ser internada. O facto é que nos divertimos imenso e nos rimos a bom rir das patetices que eu a Ângela e a Rafaela passamos a noite a fazer e a dizer. Por vezes, ser espontâneo sabe bem, lembra-nos que a vida não tem de ser tão séria, não tem de ser só acerca dos nossos projectos, dos nossos objectivos. 

Profissionalmente, neste momento, estou a ser bastante espontânea, não haja dúvida. Claro que tenho a sorte de ter um suporte financeiro que me permite sê-lo; sem isso seria impossível dar-me ao luxo de desistir do ensino aqui em Londres (vade retro), escrever neste blogue com a regularidade com que estou a fazer, de trabalhar num jornal comunitário, de poder despender tanto tempo nas minhas culinarices, ou de estar a desenvolver um projecto aqui em Londres que vos apresentarei assim que possível. Nunca antes me tinha entregue a este tipo de espontaneidade profissional. Ainda não estou no ponto em que possa dizer que o que faço recompensa financeiramente, mas sinto que já estive mais longe. Força de vontade não me falta, e isso era algo que enquanto professora em Londres, me faltava. O melhor de tudo é que embora sinta muito a falta dos meus alunos em Portugal, daqueles queriduchos todos de que nunca me esqueço e que vou seguindo conforme posso, estou a fazer algo que me faz feliz: escrever, e nunca antes me tinha dado a oportunidade de fazer algo 24/7 só porque me dá prazer, vislumbrando a possibilidade de isso me trazer algum retorno que não seja só o prazer de o fazer.

No amor, a espontaneidade, o apostar em correr riscos trouxeram-me o Mr. Bubbly. Ele era uma espécie de playboyzinho com fama de não se apaixonar facilmente. Logo à partida ele era aquilo que eu não precisava na minha (na altura) vida extremamente estável e planeada a todos os níveis possíveis e imaginários. Por outro lado, tinha o sentido de humor que eu gostava, tinha a ambição e os projectos que eu acreditava poder ajudar a desenvolver, tinha o ar descontraído e descomplicado que me atraía nos homens, e tinha aquele jeito que me deixava desconfiada por um lado, mas que me fazia derreter por outro. Apesar das minhas reticências, acabei por me entregar à espontaneidade, de aceitar o desafio, de experimentar, e cá estamos hoje: casados duas vezes, e felizes. A nossa vida não é perfeita, nem é isso que quero aparentar, temos as nossas discussões (muito raramente, nem me lembro da última para ser honesta, deve ter sido porque ele deixou as chuteiras na cozinha - o habitual), não concordamos em tudo, não é tudo rosa, mas sabemos ver o que temos de positivo na nossa relação, valorizar o bom que o outro traz às nossas vidas e estamos sempre lá um para o outro, para o concretizar dos nossos objectivos e para aquelas fases em que nada corre de acordo com o que tínhamos planeado.

Tenho 31 anos e ainda estou a aprender a viver de forma espontânea, a abraçar e apreciar essa espontaneidade, e agora que penso, ter escrito esta crónica de forma tão espontânea fez-me perceber o que de outra forma ainda não tinha concluído: até agora, ser espontânea, nunca me desiludiu; pelo contrário fez-me feliz. Acho que o mote do dia (e dos próximos tempos) vai ser mesmo esse: dar largas à espontaneidade, sem rede de segurança, e esperar que o está por vir seja tão bom como o que veio até aqui.



Beijinhos,

A Menina dos Óculos

Saturday, 22 February 2014

Ser poderosa é...

Numa sociedade que tende a ensinar-nos que devemos viver para nós, que muitas vezes nos impinge o egocentrismo, o narcisismo até, as mulheres aprenderam a acreditar que para terem sucesso nas suas vidas têm de ser perfeitas em tudo.

A mulher tem de ser linda, estar sempre vestida de acordo com a ocasião, não pode ser gorda, não pode desleixar-se, e tem de ficar em forma no mês seguinte a ter dado à luz. Quando é casada, não pode descurar o marido, tem de o alimentar, tem de lhe tratar da roupa, tem de lhe dar atenção sempre que possa e cuidar do pequenito, já que a culpa das traições dos maridos são sempre da mulher, que "não lhes deu o que eles precisavam e eles tinham de ir buscar fora". Quanto à casa, tem de estar imaculada, não pode ter uma grama de pó, nem estar mal aspirada (jamais) e a cozinha não pode ter uma gotinha de gordura. Se tiver filhos, não lhe é permitido que cometa erros; qualquer erro na educação ou cuidados com a criança é sinónimo de mulher fracassada, má mãe ou má pessoa mesmo. Em termos profissionais, a mulher não pode falhar (curiosamente, o homem sentado na secretária do lado pode falhar umas tantas vezes, mas a mulher não) em nada; deve cumprir todos os prazos religiosamente, sem nunca (jamais) se queixar, mesmo que os prazos sejam literalmente estúpidos e cumpri-los signifique deixar de ter uma vida e poder tirar pelo menos uma horinha por dia para ela relaxar e tratar de si própria. No entanto, lá está o ciclo vicioso, espera-se que a mulher esteja sempre linda, fabulosa, fantástica, sem olheiras e com o cabelo perfeito. Mas como? Se a mulher tem de ser a mãe, a esposa, a profissional, a mulher perfeita em tudo?!?! Será que é sequer possível ser-se tão impecavelmente bom e sem falhas, em todos os campos da nossa vida? É que eu não sou, e se isso significa ter de me sentir fracassada, raios, é melhor perder uns dias (ou meses) da minha vida miserável só a investir sem piedade na minha auto-depressão, porque admito que não sou o que a sociedade espera que eu seja.

O ridículo disto tudo, é que nós é que fazemos a sociedade, e bem, se concluirmos que as mulheres fazem parte de pelo menos metade da sociedade, são elas praticamente (dado que a maior parte dos homens não quer saber desta treta da mulher ter de ser perfeita; para eles se tiver um par de mamas, for bonitinha e os tratar bem, já está no ir) que colocam toda esta pressão em cima das suas pares. Elas, que também têm com certeza as suas falhas, porque ninguém é assim tão perfeito, acabam por exigir que as outras o sejam. Quando descobrem que a X ou a Y engordaram 1kg festejam e criticam; se se apercebem que a Z ou a W não passaram bem a camisa do namorado a ferro (pois, que o homem não tem mãozinhas para passar roupa a ferro, querem ver?) querem ser logo as primeiras da fila a apontar o dedo. E isso enerva-me! Enfurece-me! 

Para mim, essa mulher perfeita que querem que sejamos, não é de longe uma mulher poderosa. É antes uma escrava que aceita e faz tudo o que a sociedade espera que ela faça. E isso não é ser poderoso; não é ser dona da sua vida. Não é ter controlo na sua vida. É precisamente o oposto. 

A mulher poderosa deve saber o que quer e deve estar a borrifar-se para o facto de nem sempre conseguir fazer tudo bem, desde que vá tentando melhorar ao seu ritmo, se assim for a sua vontade. A mulher poderosa não precisa de fazer um esforço por ser sexy 24/7 em relação ao sexo oposto, pois tem atitude. E digam o que disserem, não há nada mais sexy do que uma mulher com atitude e sentido de humor. Uma mulher poderosa quando não tem tempo para passar a camisa do namorado diz-lhe que hoje é ele que a tem de passar, ou que se quer que ela a passe, que vai ter ele de aspirar a sala, porque ela não se desdobra em três. Uma mulher poderosa sabe estar, sabe rir quando faz falta, convive, e é confiante. Uma mulher poderosa tem amigas de verdade, daquelas que não apontam o dedo. A mulher poderosa é a que converte naturalmente aquelas que lhe poderiam apontar o dedo, nas suas melhores amigas, com quem conversa e se ri das suas falhas ocasionais. Com elas é certo que não há capas de falsas moralidades ou pseudo-perfeições, porque no fundo, no fundo, todas falham às vezes, e podem falhar. Acima de tudo, uma mulher poderosa tem atitude para aceitar que no seu caminho vai perder muitas pessoas, nomeadamente muitas das mulheres que lhe apontam o dedo, mas sabe que quem tiver de ficar na sua vida, vai acabar por ficar. E essas que ficam são as tais, as que são poderosas como ela.



Beijinhos,

A Menina dos Óculos